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Para onde o mercado está olhando?

08/06/2017 09:18:11
Caro leitor,

O mercado sempre segue na direção do juízo da maioria dos investidores e especuladores, levando em conta, é claro, o poder econômico de cada um. Parece óbvio escrever isso, mas é bom lembrar que alguém que investe um milhão de reais tem uma opinião (em termos mercadológicos) mil vezes mais influente do que aquele que aplica mil. Portanto é um julgamento ponderado, mas, considerada essa distribuição de pesos, é ela (opinião da primazia) que prevalecerá, independentemente do que você, caro leitor, ache de como as cotações reagirão a determinado fato.

Um bom exemplo é o que aconteceu com as ações e com os títulos de renda fixa da Petrobras, inclusive e principalmente os negociados em dólares, no mercado americano, quando a empresa, sob a gestão de Graça Foster e durante o governo Dilma Rousseff não publicou seu balanço simplesmente porque se perdeu nos números. A roubalheira era tanta que ficou difícil apurar quais os ativos que eram mesmo ativos (com desculpas pelo trocadilho) e quais os que eram ruínas ou simplesmente haviam virado fumaça. Foi a época em que, na contabilidade da estatal, dois mais dois equivaliam a menos quatro.

Naquele momento de pânico no mercado, quem parou para pensar (e os mais sensatos e mais cascudos fizeram isso aqui e lá fora) comprou ações e obrigações da Petrobras, calcado no raciocínio mais do que lógico: o Tesouro não vai deixar quebrar, mesmo que tenha de lançar nas costas do contribuinte o prejuízo da ladroeira. E quem adquiriu ações ou títulos da empresa se deu muito bem. Se comprou alavancado, enricou. Caso tenha se limitado ao “papai e mamãe”, dobrou ou triplicou o rico dinheirinho que pôs ali.

O balanço acabou saindo (mal e porcamente, mas saiu), Dilma foi defenestrada e Temer pôs na empresa o Pedro Parente, que passou a administrar a Petrobras como um legítimo CEO profissional. Mas a oportunidade de uma grande porrada tinha sido lá atrás quando as ações não se esfarinharam porque a maioria (ponderada, repito) percebeu o óbvio rodriguiano e comprou. Comprou aqui em reais e comprou em Nova York em dólares. Eu mesmo fiz minha fezinha, embora sem alavancar (sniff).

Por essas razões muitos traders operam por gráficos, que revelam o que ainda não veio à luz. Vem daí os bullish haramis do candlestick, um método de analise técnica que os japoneses, há muitos séculos, usavam para interpretar o mercado de “arroz vazio” – arroz futuro, da safra do ano seguinte –, os fundos duplos, as cabeças e ombros invertidos, os fundos redondos, as ilhas e as agulhas dos gráficos tradicionais, os baixos RSI, Relative Strenght Index (Índice de Força Relativa), dos indicadores de momentum, que mostram claramente que quem tinha de vender já vendeu e que, sem novos vendedores, o preço sobe.

Isso não quer dizer que aquilo que está muito barato (barato é um conceito subjetivo) deve ser comprado e que o que está caro (mais subjetivo ainda) deve ser vendido. Grandes oportunidades de venda a descoberto (ou de compra de puts) podem surgir em um novo low. O mesmo acontece com um novo high. Imaginem quem comprou 100 ações da Microsoft a 21 dólares por ação – uma nova máxima até então – em 13 de março de 1986, dia da primeira IPO da empresa. Entre bonificações (splits) e valorização o felizardo, quem na época investiu 2.100 dólares, tem hoje mais de dois milhões de dólares.

Certa ocasião eu comprei um grande lote de açúcar futuro na CSCE (Coffee, Sugar and Cocoa Exchange), em Nova York, só porque estava barato. Barato demais. Abaixo de cinco centavos de dólar a libra-peso. E ficou nesse ramerrame durante três anos, sendo que toda vez que eu tinha de rolar a posição, de três em três meses, pagava os custos de corretagem e de contango (situação na qual os futuros mais longos custam mais do que os mais curtos). O mesmo aconteceu com o café e com o cacau. Comprei porque estavam de graça e me ferrei.

Na outra ponta, não foram poucas as ocasiões em que vendi o S&P 500 quando o mercado fez novas máximas e eu (só eu) achava que um short seria o trade de minha vida.

Foi levando essas escovadas que aprendi que não existe barato nem caro. Existe o que vai subir e o que vai cair.

Em minha opinião, a permanência ou não de Temer, um mandato de 30 dias de Rodrigo Maia, um eleito indireto, tudo isso está precificado no mercado de ações. O que não está precificado é um eventual (e altamente improvável) governo do PT eleito em 2018. Caso contrário, as reformas trabalhista e previdenciária irão acabar sendo implantadas, mesmo que meio tronchas e mesmo que o presidente escolhido diretamente no ano que vem, seja ele quem for, jure de pés juntos que não irá propô-las ao Congresso.

Para quem, como eu, já operou com inflação acima de 50% ao mês, com confiscos, congelamento de salários e preços, tablitas, moratória externa, reformas monetárias com cortes de zeros na moeda, o que está acontecendo agora é pura normalidade.

Eu acredito que o momento do mercado de ações é de se operar tendo em vista o comportamento das empresas e dos setores em que atuam. Nada tem a ver com 2016 quando o Brasil esteve na encruzilhada entre se “venezuelar” ou mudar de rumo, hipótese esta que acabou acontecendo.

Dá para acreditar, embora com o dedo no gatilho do descrédito. É bom frisar que os bons investidores, operadores, especuladores, traders, administradores de carteiras e de fundos de investimentos são os que acertam. Ruins são os que erram.

Se você quer consertar o país (ou o mundo), faça um concurso para juiz, ou para defensor público, funde uma ONG, se voluntarie para uma causa nobre, tente um mandato eleitoral, saia noite a dentro distribuindo sopa para os sem-teto, divirta pacientes em um hospital infantil.

Aliás, você pode até fazer tudo isso, mas separe as coisas. Faça como Bill Gates, John D. Rockefeller, Warren Buffett, George Soros ou Ted Turner. Na hora de morder, morda. Na hora de assoprar, assopre.

Ivan Sant´Anna

#acoes #opcoes
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Struggle
08/06/2017
09:20:59
Assinante Oceans14
Esse cara é uma lenda viva do mercado.
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Malandro
08/06/2017
09:35:26
Assinante Oceans14
Acompanho tb as newsletters dele e do Cerize.
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Odonto
08/06/2017
11:26:33
Só eu estou pessimista?

Não vejo reforma nenhuma aprovada nem nesse,nem no próximo governo eleito

No máximo vão aprovar alguma enganação,mas insuficiente para reverter a trajetória explosiva da dívida pública

Minha opinião fecha mais com a do cara do blog Finanças Inteligentes:

Uma bomba fiscal vai explodir no colo do próximo governo,com consequências imprevisíveis

Comprem dólar,tá barato
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Especuloide
08/06/2017
11:42:24
Assinante Oceans14
"Comprem dólar,tá barato" eu ouvi em 2002, em 2014 quando tava a R$ 4 e "o mercado tava precificando a R$ 6". Pergunta aos "esperto-deseperados" que compraram o que eles acham hoje....

Aliás o cabra compra a R$ 3,98 e quando chega a 4,02 conta até ao porteiro que ele vai matar a pau quando vender a 6.00 - ele diz que tem "investimento em moeda estrangeira". Mas quando afunda para os 3.30, sem perder a pôse ele muda o discurso de investimento para "reserva em moeda estrangeira forte".

Não muda nunca.
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Especuloide
08/06/2017
11:55:25
Assinante Oceans14
Há, esqueci de citar o ano de 1999 que teve outra onda dessa de "tá barato e não tem como dar errado".
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Odonto
08/06/2017
13:39:11
Sou mais esse texto aqui:

Finanças Inteligentes: Panorama macro global

Um detalhe,este texto foi escrito antes da implosão do governo Temer...de lá pra cá,as expectativas são obviamente piores
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Especuloide
08/06/2017
13:46:45
Assinante Oceans14
Um dos motivos que eu "estoy a defecare" para tudo que analista escreve, e não abro exceção. Vai ver nos últimos 30 anos o vaticínios do fim do país que deram errado e o que aconteceu com quem "seguiu a risca".

Analista é muito bom pra falar o que vc que ouvir.

Não basta ele afundar com barco - tem que levar dúzias de seguidores junto.
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Odonto
08/06/2017
14:00:12
"A parte macro no Brasil merece atenção e impõe cautela ao mercado de câmbio e da dívida pública (juros futuros). O mercado de ações tem sua própria dinâmica e muitas vezes se desloca na direção inversa dos fundamentos. Câmbio e juros são mais fiéis aos fundamentos e não costumam sustentar distorções por muito tempo.

O endividamento segue trajetória insustentável e tende alcançar 80% do PIB (Produto Interno Bruto) até 2019, segundo projeção da agência de classificação de risco Moody’s. Mesmo com o Banco Central mirando uma taxa Selic de 8,5% ao ano, ainda assim a dívida pública continuará tendo uma dinâmica perversa.

Com ou sem reforma desidratada da previdência, o próximo presidente vai assumir uma bomba fiscal. As consequencias são imprevisíveis, porém nada alentadoras. Não há como voltar atrás. Não há carga tributária suportável que cubra o buraco. Perdemos a janela de oportunidade para resolvermos o problema fiscal de forma civilizada e menos traumática.

Players de renda fixa já entenderam que a bola de neve está grande demais. Os juros futuros interromperam uma longa trajetória de baixa no mês passado, o que sinaliza fechamento de algumas posições compradas."
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Odonto
08/06/2017
14:02:50
Não é o fim do país

O país vai renascer

Mas antes vamos visitar o Inferno
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willscs
08/06/2017
14:21:01
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naoeoxi
08/06/2017
14:43:04
Olha , estamos no fundo do poço, parados e o pior, parece que tem gente que está achando bom.. O bode está na sala e não incomoda mais. Sua renda per capta retrocedeu 5 anos. Saindo uma notícia de crescimento de zero vírgula qualquer coisa, já vem notícia de que retomamos o crescimento e estamos no rumo certo... Não, ainda não estamos e ainda não sabemos quando as coisas estarão sob controle. Basta ver que a receita tributária continua caindo em relação as despesas... E não tem mais renda pra tirar mais arrecadação, e os serviços públicos estão no limite do colapso.
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