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LUZ

Aposta no caos

05/05/2017 20:55:20
Medidas emergenciais propostas pelo PT significam reinstalação da nova matriz

Fernando Dantas*

05 Maio 2017 | 05h00

O Estado de São Paulo

O que pode levar um importante líder político a propor uma receita de política econômica que acaba de dar espetacularmente errado? A pergunta pode parecer absurda, mas se trata de uma questão bastante real, que acontece neste momento diante dos nossos olhos.

Confortavelmente à frente das intenções de voto no primeiro turno de todas as pesquisas eleitorais, o ex-presidente Lula comandou recentemente a apresentação pelo PT do programa “Seis Medidas Emergenciais para Recuperação da Economia, do Emprego e da Renda”.

Não há nenhuma dúvida sobre o teor das propostas: trata-se de reinstalar a “nova matriz econômica” que reinou no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, com desastrosos e bem conhecido resultados.

Como se sabe, a atual recessão foi turbinada pelo pânico que tomou conta dos investidores em relação à solvência pública brasileira, movimento que teve seu ápice no último trimestre de 2015. O dólar e os juros dispararam, e a confiança de empresários e consumidores despencou. A economia, naturalmente, se esfacelou.

A muito custo, três ministros da Fazenda consecutivos – os liberais Joaquim Levy e Henrique Meirelles, entremeados pelo heterodoxo Nelson Barbosa – lutaram para debelar o pânico fiscal. Houve muita polêmica sobre como realizar essa tarefa, centrada na questão “é melhor ajustar no curto ou no médio e longo prazos?”. Levy queria fazer tudo ao mesmo tempo. Barbosa, preocupado com o impulso fiscal negativo, preferia atacar o médio e o longo. Os dois saíram e Meirelles acabou concentrando as fichas, ainda mais do que propusera Barbosa, no longo prazo.

Nenhum deles, entretanto, cogitou em chutar o balde no curto, médio e longo prazos, como defende o programa emergencial patrocinado por Lula. Senão, vejamos: singelamente, o pacote retira a reforma da Previdência de pauta, antecipa o abono salarial, garante aumento real do salário mínimo, revoga a emenda do teto dos gastos públicos, renegocia as dívidas dos Estados de tal forma que estes invistam mais, recupera empresas de construção civil (abaladas pela Lava Jato) e fortalece as empresas brasileiras em geral (só pode ser com dinheiro público, claro).

Adicionalmente, o programa expande o Bolsa Família, os gastos em saúde e educação, o Minha Casa Minha Vida, a atuação dos bancos públicos, a geração de energia, o crédito agrícola, as obras ferroviárias e os investimentos da Petrobrás.

Enfim, é como se um Estado muito rico, abarrotado de receitas e gerando superávits fiscais crescentes, resolvesse distribuir de todas as formas possíveis e imaginárias o dinheiro público que sobra e escorre por todos os poros. Qualquer semelhança com o inverso da realidade não é mera coincidência.

Para garantir o “sabor nova matriz” em todas as nuances do paladar, o programa ainda defende baixar os juros na marra, manipular o câmbio, mexer no Banco Central e retomar a estratégia da Petrobrás durante o governo do PT.

Voltando à pergunta inicial, qual a razão para tamanhos disparates? Uma justificativa habitual é que Lula agora é refém do petismo raiz, que vê tudo isso como muito bom para o País. Outra possível explicação é que o ex-presidente – numa reedição da campanha de 2002 – entende que eleitoralmente é vantajoso para ele que os mercados tremam e a economia afunde junto com sua subida nas pesquisas. Dessa forma, o paladino da oposição joga a culpa pela piora no governo de plantão e amealha seus votos. Só no final, com a eleição praticamente ganha, volta atrás, assina uma carta ao povo brasileiro e promete se comportar.

É verdade que a eleição ainda está distante (e nem se sabe se Lula terá condições legais de competir), mas os candidatos já começaram o aquecimento. O “quanto pior, melhor” nunca foi nem nunca será uma estratégia ética, que valorize o jogo democrático. Mas pode funcionar, infelizmente.

*COLUNISTA DO BROADCAST E CONSULTOR DO IBRE/FGV

#politica
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LUZ
05/05/2017
20:56:12
Cabe falar não em década perdida,mas sim em geração perdida

Vamos perder uns trinta ou vinte anos

Essa década que está terminando já se perdeu,e vamos perder mais umas duas décadas vindouras
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