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desigualdade nos eua

03/04/2017 16:06:21
50% MAIS POBRES NOS EUA TÊM RENDA ESTAGNADA DESDE 1980

No momento em que o governo brasileiro se dispõe a fazer reformas da legislação trabalhista para flexibilizar o mercado de trabalho, vale a pena prestar atenção a uma das últimas contribuições de Thomas Piketty - o célebre autor de O Capital no Século XXI - e colegas sobre distribuição de renda nos Estados Unidos. Uma das conclusões é a de que aumentos do salário mínimo e reformas para reforçar o poder de barganha dos sindicatos são importantes para reduzir a desigualdade.

Mas talvez a principal novidade do trabalho de Piketty, Emmanuel Saez, de Berkeley, e Gabriel Zucman, da London School of Economics, seja a criação de uma nova base de dados para os Estados Unidos que compatibiliza a renda das contas nacionais com a das pesquisas domiciliares e a reportada no Imposto de Renda. Eles chamam essa nova base de dados de "distributional national accounts" (contas nacionais distributivas).

O avanço não é nada trivial, como os três mostram em recente artigo no site Vox, o portal do Centro para Pesquisa de Política Econômica (CEPR, na sigla em inglês). Segundo os autores, a renda reportada em pesquisas domiciliares mal chega a 60% da renda das Contas Nacionais, e esta defasagem tem aumentado. As contas nacionais distributivas permitem que se façam decomposições do crescimento da renda por grupos compatíveis com o crescimento macroeconômico que sai das Contas Nacionais.

Nessa pesquisa específica, Piketty, Saez e Zucman também criam séries sobre a distribuição de renda tanto antes do pagamento de impostos quanto depois - neste segundo caso, levando em conta para quem a receita do governo fluiu.

O fato mais chocante encontrado pelos três é que a metade mais pobre da população americana ficou alijada do crescimento econômico desde os anos 70. De 1980 a 2014, a renda média nacional das pessoas adultas cresceu 61%, mas os 50% mais pobres (com renda individual) ficaram estagnados em US$ 16 mil por ano antes dos impostos, ajustados pela inflação. Em contraste, a renda dos 0,001% mais ricos cresceu 636% em termos reais; a do 1% mais rico, cresceu 205%; e a dos 10%, 121%.

No mesmo período, 32% do crescimento da renda por adulto nos Estados Unidos foi para a classe média (acima dos 50% mais pobres e abaixo dos 10% mais ricos); e 68% para os 10% mais ricos. Uma parcela de 36% do crescimento da renda foi só para o 1% mais rico. Com isso, os adultos americanos entre o 1% mais rico, que em 1980 ganhavam 27 vezes mais que os 50% mais pobres, hoje ganham 81 vezes mais. É a mesma diferença entre a renda média americana e a dos países mais pobres do mundo.

Quando a análise passa para a renda pós-imposto, a melhora é muito pequena. Em vez de crescer zero, a renda dos 50% mais pobres aumenta 21% entre 1980 e 2014, muito menos que a média geral.

Os autores também fazem uma comparação entre os 50% mais pobres nos Estados Unidos e na França. Entre 1980 e 2014, esse grupo na França teve crescimento de 32% na renda antes dos impostos. Assim, em 1980, a metade mais pobre da França ganhava em média 11% a menos que sua equivalente americana; agora ganha 16% a mais. Como o estado de bem-estar social na França é mais generoso que nos Estados Unidos, essa diferença deve aumentar na renda depois dos impostos.

Piketty, Saez e Zucman concluem que a estagnação da renda dos 50% mais pobres e a explosão da renda do 1% mais rico nos Estados Unidos não eram inevitáveis e coincidiram com a "drástica redução da tributação progressiva, ampla desregulação de setores e serviços (particularmente o setor de serviços financeiros), enfraquecimento de sindicatos e erosão do salário mínimo".

Fernando Dantas é colunista do Broadcast

#economia
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Struggle
03/04/2017
16:07:31
Trabalhar que é bom...
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md5
03/04/2017
16:10:15
50% de encostados everywhere
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Struggle
03/04/2017
16:17:02
Viva a desigualdade!
Esse papinho de coitadinho vem desde Rousseau.
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willscs
03/04/2017
16:56:21
Qual o problema ou consequência maléfica disso mesmo?
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Struggle
03/04/2017
17:17:11
Os jênios da distribuição de renda apelam para "oportunidades para os oprimidos".
É um discurso muito sedutor, que comove a juventude (ainda esperançosa e compassiva).
O problema é que este simples e generoso ato gera uma cultura de acomodação, falta de pró-atividade (para não dizer PREGUIÇA), falta de produtividade e culto ao desperdício.
É tudo o que o ser humano medíocre mais quer.
Ganhar sem produzir.
Como não fecha a conta, no começo sempre dá certo.
Depois, vem o boleto. Com mora e juros.
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Atlético
03/04/2017
18:18:48
A primeira pergunta não é essa. Tem que checar se está havendo crescimento e desenvolvimento econômico; tecnologia.
Mais pessoas com poder aquisitivo é melhor para o sistema. A renda deve ser alta na maior parte possível da população, isso por si só já diminui a "desigualdade".
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LUZ
04/04/2017
12:48:41
O problema é como segurar a pobraiada descontente

Antes havia a Religião,agora não há mais

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encostado
04/04/2017
15:57:55
Agora tem netflix.
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LUZ
04/04/2017
21:04:24
Netflix deve piorar,mostra muitos bens de consumo

Religião é outra parada,o paraíso estava no Além,e não no consumo de bens e serviçosmateriais

O paraíso para a pobraiada é aqui e agora na Terra,e não no Além

Isso é um problema bem grande
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