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Ótima análise do panorama político para 2018

23/04/2018 09:51:08
Nos últimos anos da década de 1980 e nos primeiros da de 1990, quando trabalhava numa distribuidora de valores chamada FNJ, eu escrevia mensalmente uma newsletter (Relatório FNJ) sobre economia e mercados, com destaque para as bolsas nacionais e internacionais de futuros, commodities, opções, instrumentos financeiros e outros derivativos.

A cada mês de dezembro, eu publicava um texto especial, maior e muito mais abrangente. Em 1987, por exemplo, escrevi um trabalho sobre hiperinflação. Nesse paper, relatei minuciosamente três episódios clássicos do fenômeno: Alemanha, 1923; Áustria, 1924; e Hungria, 1946, sendo esta última a maior da história, que atingiu a taxa de 150.000% AO DIA, ou um septilhão ao ano. Isso, mesmo, septilhão, um trilhão de trilhões.

Minha intenção, ao produzir esse relatório de 1987, era alertar para a possibilidade da inflação brasileira, que atingira 363,41% naquele ano, se transformar em mais um caso de hiperinflação clássica que, segundo o economista Phillip Cagan, acontece quando a alta dos preços ultrapassa 50% ao mês e permanece nesse nível durante pelo menos um ano.

Esse meu trabalho sobre hiperinflação repercutiu muito, sendo inclusive traduzido para o inglês e publicado em brochura pela Shearson Lehman Brothers.

Um ano mais tarde, em dezembro de 1988, escrevi um relatório com prognósticos para as primeiras eleições diretas para presidente do Brasil após o regime militar. O primeiro e o segundo turno ocorreriam respectivamente em 15 de novembro e 17 de dezembro.

Nesse trabalho, estimei que os candidatos que tinham chance de se eleger eram Collor, Lula, Brizola e Mário Covas. Acertei na mosca, pois foram justamente esses quatro os mais bem colocados no primeiro turno, disputado por nada menos do que 22 políticos das mais diversas tendências.

Entre outras coisas, escrevi que dificilmente Mário Covas chegaria ao segundo turno, mas que, caso isso acontecesse, seria imbatível. De Collor, disse que ele capitalizaria a indignação que a maioria dos eleitores brasileiros sentia pelos direitos e privilégios dos funcionários públicos.

Lula bateu Brizola por pequena margem (0,67 ponto percentual) para ir ao segundo turno, no qual perdeu para Collor por uma diferença de 6,06 p.p..

Como todo mundo sabe, o “caçador de marajás das Alagoas” renunciou à Presidência em 29 de dezembro de 1992 para não ser impichado pelo Senado.

Após essa primeira eleição direta, só deu PSDB contra PT. FHC x Lula, em 1994; FHC x Lula em 1998; Lula x Serra em 2002; Lula x Alckmin em 2006; Dilma x Serra em 2010; Dilma x Aécio em 2014.

Neste ano de 2018, estimo que nem o PT nem o PSDB estarão no 2º turno. Vou mais além: se estiver enganado, comprometo-me a escrever, à mão, mil vezes a frase “Nunca mais farei prognósticos eleitorais”. Tipo castigo de internato de padres de antigamente.

Antes de mais nada, não acredito em alianças de esquerda, hipótese em que eles bem que poderiam colocar um nome no segundo turno. É bom lembrar que o PSOL sempre denunciou a corrupção nos governos Lula e Dilma e só enfileirou ao lado do PT nos episódios da cassação de Dilma, do julgamento de Temer na Câmara e da prisão de Lula.

O PSOL é fanático; o PT, fisiológico.

Dizem que Geraldo Alckmin é o “queridinho do mercado”. Se é, vai deixar de ser assim que os agentes econômicos perceberem que ele não tem chances de ir para o segundo turno. Ainda mais agora que os tucanos estão se assemelhando aos petistas e aos emedebistas nos episódios de corrupção. Não custa lembrar o caso Aécio Neves e que Sérgio Cabral começou sua carreira política no PSDB.

Vamos lá, Ivan (eu gosto de me autoestimular), coragem. Diminua o universo de suas vidências.

Pois bem, sem PT e PSDB o segundo turno deverá ser disputado por dois entre os seguintes nomes: Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Joaquim Barbosa. Alguém precisa avisar a Henrique Meirelles, Michel Temer e Rodrigo Maia que eles não têm a menor chance de disputar a Presidência.

Barbosa ainda não se declara candidato. Mas se filiou ao PSB. Em meu juízo, ele só vai aceitar a candidatura se não lhe impuserem nada: programas de governo, cargos, política econômica, etc. Nada.

Por outro lado, se o nome de Barbosa estiver nas urnas, ele tem tudo para ser um Lula muito mais autêntico. No bom sentido, é claro. Menino pobre, negro, barrado no Itamaraty nas provas orais por racismo. Só que poliglota de cinco línguas que chegou à presidência do Supremo.

Joaquim Barbosa poderá ser o novo presidente do Brasil.

Marina Silva terá de se conscientizar de que não está se candidatando ao governo da Finlândia. E que o meio ambiente não é a prioridade brasileira do momento.

Jair Bolsonaro e Ciro Gomes precisam aprender a ser mais gentis com os eleitores. Até agora, em sua carreira política, Bolsonaro nunca deixou de ser apenas o despachante dos militares de baixa patente na Câmara dos Deputados.

Como será uma eleição equilibradíssima, entre os que têm chance, é claro, qualquer bobagem que Gomes diga, e ele é useiro e vezeiro em ofender os interlocutores, vai tirá-lo do páreo.

O importante, e é por isso que estou otimista para 2019, é que qualquer um que seja eleito em outubro, goste ou não, terá de enxugar o governo, privatizar estatais e reformar a Previdência.

Claro que os petistas e os psolistas não fariam isso. Iriam tentar aumentar os impostos e tributar grandes fortunas, por exemplo. Só que eles não estarão no segundo turno.

Quando o mercado se der conta de que o pessoal que governou o Brasil nos últimos dezesseis anos desta vez vai ficar de fora, cenário esse completado por uma conjuntura de inflação e taxas de juros historicamente baixíssimos (para nossos padrões), aliado a um crescimento da economia internacional acompanhado de alta das commodities, o índice Bovespa terá tudo para ultrapassar os 100.000 pontos.

Se eu estiver enganado, vou comprar uma caixa de lápis e meia dúzia de cadernos escolares para iniciar o castigo, quase 65 anos depois da última vez que fiz isso.

Ivan Sant´Anna

#politica
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Zeitona
23/04/2018
10:40:35
Assinante Oceans14
Sei lá, tirando o Amoedo, não vejo ninguem com coragem nem vontade de fazer reformas e privatizações!
Barbosa não deve se candidatar, no máximo de vice!
Marina quase foi da última vez por causa do Eduardo Campos!
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Zeitona
23/04/2018
10:43:03
Assinante Oceans14
Bolsonaro pegou um nicho de revoltados e esclerodados, vamos ver quão grande é esse nicho!
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encostado
23/04/2018
11:45:45
Assinante Oceans14
Zeitona, ninguém vai fazer por coragem ou vontade, mas certamente fará por necessidade.
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Zeitona
23/04/2018
11:50:01
Assinante Oceans14
Tomara. Mas ao que me parece é que virou consenso de que as reformas serão feitas por qualquer um que ganhar.
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Odonto
23/04/2018
12:39:36
Se for Bolsonaro e Ciro juntos não sei se a bolsa vai pra 100 mil pontos
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Odonto
23/04/2018
12:41:20
A reforma vai ser feita na marra,ou vai haver outro impeachment,dólar a R$ 13,00,desemprego encostando nos 20%,inflação disparando,etc

O mercado vai impor a agenda reformista,vai sair na marra
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Will
23/04/2018
16:35:12
Essa zica vai virar a Venezuela, rapazes.
Onde já seviu adiarem a Ref da Prev por 1 ano por causa de eleição?
Bizarro
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md5
23/04/2018
16:42:20
Assinante Oceans14
ainda tenho esperança... somos o país do futuro
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Odonto
23/04/2018
16:57:22
Somos o país do eterno futuro,melhor dizendo,kkk

Somos bem diferente da Venezuela,lá só tem petróleo,mais nada

E é uma ditadura
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Odonto
23/04/2018
17:01:35
O máximo que pode acontecer aqui,no pior dos cenários,é um retorno aos anos 80

Mesmo assim acho difícil,nos anos 80 era uma ditadura,muito mais difícil derrubar os generais,e estes só apoiavam economistas heterodoxos

Hj é muito mais fácil derrubar um governo,o povão vai para as ruas,e o congresso caça o governo impopular e tenta cessar a queda da economia rumo ao abismo

Creio muito na possibilidade de um novo impeachment dentro de dois anos e meio,a depender de quem vai ser eleito neste ano
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md5
23/04/2018
17:14:58
Assinante Oceans14
delrey, escort e monza everywhere
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Malandro
24/04/2018
10:32:49
Assinante Oceans14
Primeira condição 2 turno pau a pau
Segunda condição economia afundando de novo
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