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A Repetição da História como Farsa

12/04/2018 11:23:55
Os outsiders eleitos geralmente não terminam os mandatos no Brasil pela dificuldade de conviver com minorias no Congresso o que pode se repetir em 2018



mosaicodeeconomia

11 Abril 2018 | 09h09

Marcelo Kfoury Muinhos*


As eleições de 2018 podem aventar algumas comparações com a eleição de 1989, por termos um presidente impopular e eleição muito fragmentada, mas uma diferença impar é que essa eleição não é solteira, mas sim acompanhada por governadores e parlamentos, sendo mais difícil para outsiders sem maquinas partidárias. Um paralelo interessante que eu não vi ninguém ainda fazer é com as eleições que ocorreram no início da década de 60: período que antecedeu o golpe de Estado.

Além disso, e mais importante, em 1989 não havia essa ressaca democrática que estamos vivendo agora. Era sim a festa da democracia com as primeiras eleições livres depois de quase 30 anos. Estamos vivendo um período de radicalização sem precedentes na história política brasileira a partir do fim da ditatura militar. Desde a democratização, não vemos tanto antagonismo e uma novidade atualmente é a falta de convicção com a democracia e com as próprias instituições no mundo contemporâneo, conquistas modernas que estamos menosprezando como a liberdade de imprensa e as próprias liberdades individuais

O governo JK de certa maneira era visto com um aliado do Getulio Vargas, mas igual ao governo Dilma, quebrou o país, ao exagerar nos gastos públicos com a construção de Brasília e o plano de Metas. Na verdade, ele não era do mesmo partido do Getúlio, mas sim do partido auxiliar do getulismo, o PSD. Para sermos mais precisos, o JK aparentemente foi o que o Eduardo Campos poderia ter sido. Ao expandir sobremaneira os gastos públicos para fazer 50 anos em 5, o presidente bossa nova acelerou excessivamente a economia, inflacionando os preços e gerando uma crise econômica que só foi saneada com o governo militar em 1965, por meio do plano PAEG de Campos e Bulhões.

JK era extremamente popular, mas não se esforçou muito para eleger o seu candidato, Marechal Lott, pois tinha certeza da reeleição posteriormente. Quem acabou por se eleger foi Jânio Quadros, um outsider da época, professor de Português, que numa carreira relâmpago, foi prefeito, governador e presidente em alguns poucos anos. Uma espécie de Doria que fez o que o esse último ainda não conseguiu.

Jânio Quadros, que tinha minoria no Congresso e não conseguia aprovar nenhuma proposta, realizou sua renúncia a fim de tentar retornar com mais poderes. Entretanto, o Congresso acabou por aceitar sua saída voluntária, e quem assumiu era o legitimo herdeiro do Getulismo, o vice João Goulart. A posse do vice foi conturbada e durante os primeiros anos, houve inclusive a figura de um primeiro ministro.

Como a história não se repete igualzinha, apenas de modo levemente parecido, vale notar que João Goulart possui distinta semelhança com a Dilma Rousseff. Foi um presidente fraco, que acabou radicalizando com as reformas de base, e foi derrubado pela crise econômica e pela classe média enraivecida. Porém, passou para a história como vítima de um golpe, e não pela sua própria fraqueza.

A eleição de 2018 pode trazer algum paralelo com a eleição presidencial que não ocorreu em 1965 por causa do golpe militar. Nesse ponto, JK tem algum paralelo com o Lula, que está sendo impedido de concorrer pela lei da ficha limpa. Já Kubitschek foi impedido de concorrer porque não houve eleições, havendo uma ruptura na frágil democracia da época. Além da crise na economia, em minha humilde opinião, a outra grande razão para o golpe foi impedir a volta do JK.

Duas lições nesse ligeiro retrospecto:

– a) A busca por outsider geralmente acaba mal. Jânio Quadros e Fernando Collor foram dois outsiders, que não terminaram os mandatos. São menos outsider dos que os de hoje, pois já tinham sido prefeito e governador dos seus respectivos estados. É importante, portanto, abrir os olhos para Jair Bolsonaro e Joaquim Barbosa, os modernos outsiders, que não exerceram cargos executivos e consequentemente podem ter bastante dificuldade de conviver com os outros poderes e chegarem ao fim dos seus eventuais mandatos. A própria Dilma Rousseff, de alguma forma, pode ser vista com outsider por nunca ter disputado eleição antes de 2010.

– b) As intervenções que ocorrem hoje são dentro da instituições, por isso mais suaves. A impeachment da Dilma não foi um golpe de Estado e o impedimento do Lula em ocorrer por ser condenado por um colegiado é bem mais civilizado do que impedir que a própria eleição ocorra.

*Professor e Coordenador do Centro Macro Brasil da FGV-EESP

#politica
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Odonto
12/04/2018
11:27:48
Bate com o que eu penso:

1)Com desemprego de 12%,fragmentação em várias candidaturas e impopularidade da atual agenda econômica,os candidatos identificados com o chamado centro reformista,de caráter liberal,não terão sucesso no pleito

2)Vai ser eleito um maluco aí qualquer irresponsável fiscalmente

3)Impeachment em até dois anos depois da eleição
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encostado
12/04/2018
11:32:44
Assinante Oceans14
Um amigo meu acha que 2018 se parece muito com 1939.
Mas talvez ele se enganou e é com 1989 mesmo.
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encostado
12/04/2018
11:34:43
Assinante Oceans14
Odonto, acho que vai depender muito do 2o turno, que é quase certo.

No 2o turno, mesmo um "outsider" tipo Bolsonaro ou sei lá quem vai fazer uns 50/60 milhões de votos e terá alguma legitimidade popular.

A partir daí vai ter que se aliar ao PMDB e mais algumas siglas pra conseguir governar.
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md5
12/04/2018
11:37:01
Assinante Oceans14
no início dos anos 2000 aqui na minha cidade teve um prefeito outside... ao meu ver, era bom... mas não ficou nem 2 anos no cargo...
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Odonto
12/04/2018
11:39:31
Bolsonaro é estatista até a medula dos ossos,não vai fazer reforma nenhuma

Está tentando enganar o mercado com um falso discurso liberal,ele continua o mesmo de sempre

Uma coisa que eu aprendi na minha vida:

Velho não muda de opinião
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Odonto
12/04/2018
11:44:42
No livro Veja-A história é amarela,tem a entrevista da Dilma antes da eleição de 2010

Discurso totalmente liberal e pró-mercado

Quem comprou aquilo lá?

Eu não comprei

Uma pesquisa de meia hora na internet sobre a trajetória dela,mentora da lei do petróleo,brizolista no passado,dentre outras coisas

Vi que ia dar merda,em 2011 diminuí percentual em ações e aloquei maior parte da carteira em títulos atrelados a inflação
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md5
12/04/2018
11:46:30
Assinante Oceans14
lembro q a dilma era estilo bolsonaro... veio pra moralizar a porra toda depois do mensalão... confesso q acreditei q seria diferente... hahah créu
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naoeoxi
12/04/2018
11:47:00
Assinante Oceans14
Fato.. O congresso é desenhado para sabotar o Brasil
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kabiludo
12/04/2018
11:49:42
Aguardo manifestação do ilustríssimo @Michel_Miguel
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Odonto
12/04/2018
11:59:37
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