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Escrito por rfalci    10/01/2017 10:26:34

Atividade física: quanto devo fazer para viver mais?


Colaborou Dr. Renato Falci Júnior, urologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
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Atividade física regular é um dos pilares de uma vida saudável e longa. Nenhuma novidade nisso. Ainda mais que a preocupação com o esporte geralmente está associada à melhora da dieta, ao abandono de hábitos ruins para a saúde e uma certa disciplina.

No entanto, dados recentes estão demonstrando que a prática de esportes ideal para a saúde cardiovascular pode estar bem distante da prática exigida para os atletas de alta intensidade, de corridas longas, de triatlo e de atletas profissionais. Estudos epidemiológicos realizados na última década demonstraram claramente o benefício dos exercícios moderados em relação ao sedentarismo quanto à saúde cardiovascular e longevidade. Mas, na medida que se aumenta a intensidade dos exercícios, observou-se a perda dessa proteção, tendo o atleta de alta intensidade os mesmos riscos  cardiovasculares que o sedentário, sem mencionar o imenso número de lesões articulares e ortopédicas. Outro dado alarmante é que a população que pratica esportes de alta intensidade como maratona, ciclismo (a famosa bike), iron man e triatlo, quadruplicou na última década. Hoje é muito frequente vermos novo maratonistas e ciclistas se aventurando nos parques e ruas das grandes cidades. Esse novo contingente de novos atletas, exceto se tiverem uma condição genética privilegiada – o que ocorre em um número bem pequeno, provavelmente está  “se matando” por essas ruas e parques.

Bom, vamos ao que interessa:

  1. Esporte é saudável e deve ser encorajado. Não usem esse artigo para justificar a preguiça!
  2. O ideal é intensidade moderada. Ok, quanto é moderado? O famoso “the Copenhagen city heart study” encontrou a maior proteção para uma atividade de corrida leve 2 a 3 vezes por semana, em trote leve a moderado. Benefício semelhante foi encontrado em caminhadas diárias por 45 minutos. Esses atletas tiveram 50% de proteção em relação aos sedentários, quanto ao risco de eventos cardiovasculares. A partir dessa intensidade a proteção cai, igualando-se ao do sedentário, sem contar as lesões articulares. E por que morre o atleta intenso? Problemas cardíacos decorrentes do remodelamento do coração. Enfatizo que isso se aplica a indivíduos saudáveis. Quem já tem algum problema de saúde deve ter orientação médica obrigatória.
  3. O exercício deve ser individualizado. Somos indivíduos e não clone. Cada um tem habilidades e características próprias. Assim, se me perguntam qual a velocidade segura para se viajar de carro, eu respondo que dependo do carro. 
  4. Nem preciso comentar sobre o uso de anabolizantes,estimulantes e derivados da adrenalina utilizados para aumentar desempenho. Tenho certeza que todos conhecem seus malefícios, inclusive quem os usa.
Enfim, mãos à obra: levante da cadeira, consulte seu médico,escolha um esporte que lhe agrade e boa sorte. Esqueça (pelo menos para a maioria) a maratona, ironman, triatlo etc. A saúde agradece.



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