1. Home
  2. Artigos
  3. Carreira
  4. O Caçador, o alce e o lobo

Escrito por ali baba    23/10/2017 14:50:10

O Caçador, o alce e o lobo


Antes de me tornar empresário, quando ainda tinha chefe, fiz muitos treinamentos. Todos os que pude, na verdade. E enquanto meus colegas se queixavam que tinham que participar de alguma atividade fora do horário de trabalho, sempre abracei tais eventos com avidez.
De longe, o mais proveitoso foi um curso de três dias sobre negociação, na Scotwork (não estão patrocinando o artigo, mas o que é bom a gente tem que recomendar).  Empreguei e emprego as técnicas até hoje. Fiz amizade com o diretor e mantemos correspondência algumas vezes por ano. 


A caçada

A história mais interessante que ele partilhou comigo naquela época foi sobre um caçador que, após dias vagando por uma terra gélida, encontra e abate um alce.
Feliz, nosso herói estiva sua presa sobre seu trenó e parte na viagem de retorno à sua cabana, pensando em como aquela carne toda manteria ele e seus preciosos cães alimentados pela maior parte do inverno.
Poucas horas haviam passado quando começou a escutar os uivos que agouravam uma viagem difícil. Pela intensidade do som, sabia que a matilha tinha farejado o sangue fresco do animal e se aproximava rapidamente.
Com uma viagem longa pela frente, após refletir brevemente e já fazendo contato visual com seus algozes, decidiu que a melhor estratégia era entregar um pequeno pedaço do alce aos lobos, que assim se saciariam e o deixariam em paz.
O problema é que os animais o deixavam em paz por algum tempo, enquanto se fartavam com a prenda que lhes era atirada, para logo em seguida fustigá-lo novamente.


A frustração

Isso durou até que se aproximasse da sua casa e conseguisse guardar melancolicamente o pouco que restou da carcaça, insuficiente para os meses que viriam.
Essa narrativa ficou gravada na minha mente e, de quando em vez, me imagino como o caçador. Exausto, coberto em gelo e sangue tentando escapar da sanha assassina de seus perseguidores que nunca se saciam.
Nossa vida é assim. Entre as criaturas com as quais temos de lidar no nosso cotidiano, estão pessoas muito semelhantes a esses lobos da história e que nunca estão satisfeitas com o que conseguem nos arrancar.
Lembre-se que cada um de nós acorda com uma quantidade limitada de energia e recursos que temos disponível para passar o dia e cada dia tem apenas 24 horas, independente de quão rico e poderoso você seja. Analisando sob essa ótica, o que acha de entregar uma parte disso para quem te acharca?


Identificando e neutralizando o inimigo

Com essa alegoria acima, fica fácil descobrir quem são os lobos ao nosso redor. Estejam eles em pele de cordeiro ou não. Podem ser seu chefe, seu empregado, o governo, um membro da família, alguém do grupo do WhatsApp (lobo virtual! Esse é cruel, pois se multiplica à velocidade de cliques). E todos, sem exceção, querem sempre mais de você.
Vai aqui o conselho de um caçador que já desperdiçou muita carne: quando lidar com essa gente, sempre coloque um limite claro e seja firme.
Se você os alimentar, eles se multiplicam. 
Exemplos abundam ao seu redor. 


Escolha suas batalhas

Semana passada me dei conta de quanto tempo perdia argumentando com o pessoal no WhatsApp tentando iluminar essas pobres criaturas que acreditam em Papai Noel, saci-pererê e em governo benevolente. Também era vítima de discussões intermináveis sobre a minha religião. O que é, até certo ponto, admissível, já que há poucos muçulmanos no Brasil e muitas dúvidas.
Mas o fato é que enquanto eu acreditava que explicava algum mal-entendido, meus oponentes se limitavam a me atacar com chavões ideológicos, na maioria das vezes apenas encaminhando mensagens de terceiros. Ou seja, enquanto eu gastava meu inestimável tempo e minha energia para tecer um comentário ou elaborar um pensamento, me afundava num lamaçal de mensagens encaminhadas.
Big mistake...
Ao invés de focar minhas energias nos meus objetivos, simplesmente alimentava essa gente faminta de sangue.
Não discuto mais.
Não saí de nenhum grupo. Às vezes dou até uma espiadela, mas não me afetam mais. Pelo contrário, às vezes sou eu quem encaminha alguma provocação só para ver a galera ir à loucura e só participo de verdade de um ou outro grupo que tem algo a acrescentar à minha vida e onde a troca se dá entre homens e mulheres de boa vontade.


Go For It!

Ignore os uivos na medida do possível e, se estiverem muito perto, estabeleça limites e não entregue seu alce. Foque no que é importante acima de tudo. Seus sonhos só se tornarão realidade se você gastar tempo e energia neles, e não alimentando os lobos no caminho.

Forte Abraço,
Ali “Caçador” Baba

Gostou do texto? Cadastre-se no site e começe a seguir o usuário ali baba. Sempre que ele postar um novo artigo, você será notificado.

Para ler outros textos do usuário ali baba, clique aqui.