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Escrito por Struggle    12/06/2017 07:55:19

Fuga ao Uruguay


Escapade.


É uma palavra francesa. Parecida com a nossa “escapada”, mas sem o sentido pejorativo de covardia. Atribuída àquelas fugazes incursões que nos remete à fuga do cotidiano, quando em busca de sítios inspiradores, encontramos respostas a vários questionamentos, convivemos com mais proximidade com as pessoas que amamos, quebramos círculos viciosos e renovamos nossas energias. E, de quebra, conhecemos ou revisitamos lugares que, de alguma forma, farão parte do nosso legado. Uma escapade não pode ser nada difícil ou longínquo. Prefere-se algo rápido, para um breve retorno. 

Pessoas que necessitam deste subterfúgio ainda não se podem dar ao luxo de longos períodos sabáticos. E, convenhamos, há muitos destinos que mais cansam do que renovam. A nossa dica de hoje para a escapade é o Uruguay. Com um voo relativamente breve, é possível alcançar Montevideo em menos de 3 horas a partir de GRU. Os gaúchos ainda dispõem de um voo direto POA-MVD, operado pela Azul. Saindo de Campinas ou Belo Horizonte, também é possível pegar este voo em uma rápida conexão.



Figura 1: Aeroporto de Carrasco em Montevideo: obra do arquiteto Rafael Viñoli com uma beleza que chama a atenção (fonte: arcoweb.com.br).

A chegada no aeroporto de Carrasco surpreende pela sua arquitetura. Apesar de pequeno, o aeroporto é um dos mais belos do planeta. O rápido desembarque já mostra a grande praticidade e conforto que se encontra nesse país. Com área próxima ao estado do Paraná, a República Oriental del Uruguay (oriental porque está ao oriente do Rio da Prata), possui somente cerca de 3 milhões de habitantes. E cerca de metade de sua população encontra-se em Montevideo. Ou seja, sobra espaço, conveniência e conforto. 

Não pense que vamos à Punta del Este. Não. Você, leitor do Oceans14, não busca o trivial, o cliché... Aqui, nossas escolhas são mais seletivas e originais. Vamos ao rumo oeste. Ainda próximo à capital é possível almoçar na vinícola Bouza. Aqui, os carnívoros podem saciar sua fome com aquela que talvez seja a melhor carne do mundo, ao mesmo tempo que conhece o grande avanço do vinho uruguayo. Não beba muito (uma ou duas taças, talvez), pois é preciso seguir viagem. E carne no Uruguay come-se al punto (ao ponto) ou jugosa (mal passada).



Figura 2. Vinícola Bouza ao anoitecer (fonte: acervo pessoal).

Tome a Ruta 1, em direção a Colônia. E depois, próximo a Tarariras, pegue a Ruta 21, em direção à Carmelo. A viagem de Carrasco a Carmelo leva cerca de 3 horas. Ali, no interior do país, viajamos no tempo. Parece que voltamos à década de 50, com um compasso despacito e prazeroso, com as pessoas cumprimentando-se, sem que necessariamente se conheçam. 

Já em Carmelo, há várias opções de hospedagem, e o nosso site sugere algumas opções. A pousada CampoTinto oferece acomodação para casais, assim como a Narbona Wine Lodge. Para quem prefere hotéis com uma maior infraestrutura, há o Carmelo Resort & Spa, com amplas instalações em frente ao Rio da Prata. Listado em uma exclusiva lista de hotéis de luxo (The Unbound Colection by Hyatt), o local prima pelos detalhes com muita classe e garbo. Um de seus restaurantes, o Pura, serve um lauto café da manhã, além da tradicional cozinha uruguaia no almoço e jantar.

Deste hotel, facilmente alcança-se um belo campo de golfe, com 18 buracos, com sede, carros, e todo o equipamento para se passar uma inesquecível tarde de outono.


Figura 3: o aconchego aristocrático da pousada CampoTinto (fonte: acervo pessoal).

A vitivinicultura aqui tem uma longa história. E mais recentemente, este legado vem sido resgatado. Desde o início do século passado, colonos italianos trouxeram videiras para estes lados. Nos últimos anos, o local conheceu um significativo desenvolvimento de vinícolas familiares, que envolvem magníficos passeios no campo, ao lado das degustações de seus vinhos. 



Figura 4: a inusitada vista do luxuoso quarto do Carmelo Resort & Spa mostra vinhedos com o Rio da Prata ao fundo (fonte: acervo pessoal).

Começamos pela Vinícola Narbona,às margens da Ruta 21, que dispõe de 5 quartos para acomodação, além de um restaurante que convida a um passeio por suas antigas e conservadas instalações. Os proprietários são argentinos, e pode-se também encontrar saborosos queijos e o famoso doce de leite. Um passeio pela adega nos remete a agradáveis momentos em meio a um ambiente clássico e aconchegante.



Figura 5: A visita à Narbona nos leva aos confins do século passado (fonte: acervo pessoal).

Outra opção enogastronômica seria a CampoTinto, também com proprietários argentinos, vem decolando recentemente com a sua pequena vinícola, com pousada (4 aconchegantes habitaciones) e acolhedor restaurante.

Bem próximo da CampoTinto você poderá conhecer um lugarejo que se caracteriza como uma verdadeira passagem no tempo, direto para a década de 20. O Almacén de la Capilla, fundado há quase um século, se caracteriza como um verdadeiro armazém. Originalmente abastecia aquela comunidade rural com secos e molhados. Hoje, com o ambiente totalmente preservado, é uma vinícola familiar. Ali, a hospitalidade uruguaya se revela no seu primor, e o tempo passa sem que se perceba, enquanto se degusta o vinho local. 



Figura 6: Entre no Almacén da la Capilla e deixe-se levar pela agradável e contagiante nostalgia (fonte: acervo pessoal).

Não muito longe dali, temo a vinícola El Legado. Também familiar, a propriedade já conheceu um maior porte no século passado. A atual geração resgata esta tradição vitivinícola com muita galhardia e humildade. Tal como nos seus pares próximos, aqui também somos tão bem recebidos e acolhidos, que não percebemos a noite que chega.

É hora de voltar para o hotel. Para o outro dia, reservamos uma incursão a um patrimônio histórico. A cerca de 1 hora de Carmelo pode-se visitar a cidade de Colónia Del Sacramento. Cidade tombada pela UNESCO, fundada por portugueses, também transporta seus visitantes aos séculos XVII, XVII e XIX. Uma caminhada pelo centro histórico, com destino às margens Rio da Prata pode arrefecer qualquer inquietude. Como o tempo passa sem que se perceba, já é era de concluir nossa escapade. Ao retornar para o aeroporto, levamos conosco a impressão de que temos muito a aprender com este país vizinho. Seja na gentileza com as pessoas, seja na maneira serena com que se lida com o cotidiano.

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