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Escrito por Malandro    18/04/2017 12:45:45

História do Mercado - A Era das commodities e spin offs


Dando sequência no estudo do novo índice, falarei inicialmente sobre as diferenças de metodologia entre os índices o equal weight (EW) e o market weight (MW), pode parecer chato inicialmente, mas veras como as duas formas afetam a rentabilidade e concentração da carteira:

Nos Estados Unidos, os índices S&P500 e Wilshire 5000 (o mais amplo índice do mercado acionário americano) ambos baseados em MW, possuem seus respectivos EWs, ao longo da série histórica de décadas, os EWs batem com folga os MWs. Fato baseado em dados, mas as explicações sobre esse fato são mais difíceis de serem elaboradas. Talvez um dos fatores, seja que nos EWs, os pesos, embora iguais dentro da carteira, são maiores que os MWs nas midcaps e smallcaps, a série do EW apresentou maior volatilidade também. Tais índices ponderados igualmente possuem seus respectivos ETFs no mercado americano.

Ao se criar um índice equal weight para estudo tem que tomar alguns cuidados. Ao fixar a quantidade teórica inicial das ações na carteira com pesos iguais, necessita revisionar constantemente o índice (no estudo foi utilizado a revisão a cada ano), teoricamente vendendo ações que subiram demais no período e comprando ações que caíram demais, para que os pesos continuem girando ao longo do tempo em torno do proposto inicialmente.

Ao contrário do EW, o MW ao fixar os pesos iniciais (mesmo que iguais), esses são livres para flutuar de acordo com o valor de mercado, as ações que sobem muito terão peso maior na carteira e as que caem muito terão pesos ínfimos, ou seja, nas revisões, teoricamente compra-se ações que estão subindo e vende-se ações que estão caindo, em um mercado pouco evoluído com distorções gigantes de negócios e valores de mercado entre as empresas, como foi o do Brasil no passado, teve como resultado as concentrações de ações na carteira em níveis vistos pelo Ibovespa na década de 90 (ao longo do tempo os níveis de concentração diminuíram, mas continuam relativamente altos até hoje em dia, mas ai é a característica inerente do market weight, como há também certa concentração de pesos nos índices centenários do mercado americano).

Em estudos feitos, onde se pega um grupo de ações, fixa-se o peso inicial e roda a série histórica de cotações, sem revisões imposta por uma metodologia, puramente ponderado pelo mercado, as concentrações de pesos variam livremente, movendo-se para as ações vencedoras, chegando ao fim do estudo, por exemplo, com as 5 melhores ações, de 30 ações na carteira, respondendo por 60, 70% da carteira. Mesmo com 30 ações, deixa-se de lado a teoria da diversificação, ficando exposto ao risco não-sistêmico de algumas poucas empresas.

Passada a parte chata das metodologias, entende-se melhor agora os riscos que cada índice ou estudo são expostos no tempo, para o bem ou para o mal.

No Ibovespa, para o mal, casos recentes como OGX, Petrobras, Vale, mais no passado, Globo Cabos, Paranapanema, em que atingiram relevante concentração no portfólio, por seu ótimo desempenho em certo período e que enfrentaram dificuldades posteriormente numa velocidade incompatível com as revisões; para o bem, os casos de Eletrobras, Telebras que deram ao índice estupendos retornos e que deu tempo para que fossem feitos ajustes com as revisões quadrimensais sem danificar seu retorno da carteira.

Em estudos feitos pela internet, sendo pure market weight, sem revisões, vieses descritos no primeiro artigo, amplificam o lado bom do market weight, como resultado, suas rentabilidades muito acima de qualquer benchmark no Universo e sua concentração final entre as ações (obviamente nunca exibida) em DEFCON 1 (aproveitando o clima de guerra) sob a ótica da teoria da diversificação.

Segunda Parte (1998-2007)

Começa-se o período com um bear market, onde na primeira perna de baixa a carteira IB30EW apresentou baixas de 75% contra 65% do Ibovespa.
Na área destacada, no intervalo de 1996 a meio de 1997, vê-se o efeito (benéfico, nesse caso) da concentração no portfólio, em 1,5 anos o Ibovespa recuperou a rentabilidade em relação ao IB30EW.

Um ponto a se destacar, nos momentos maduros de um bull Market, o breadth do mercado, normalmente fica seriamente abalado, alguns poucos nomes dão sustentação a alta, enquanto que muitos outros simplesmente não acompanham essa alta final, isso fica claramente exposto na relação da evolução dos índices EW contra MW.
Confesso que um dos motivos para criação desse índice é ter essa ferramenta de longo prazo para poder visualizar essa possível condição, ao longo tempo, no mercado acionário brasileiro.





Cisões

Engenharia financeira em voga nas privatizações ao longo da década de 90, com ápice de 1998 a 2000, mas como encheram o saco na reconstrução de um índice.
Teles e Elétricas deram crias:

EMAE, EPTE, EBE cindidas da Eletropaulo em 1998.
Gerasul, hoje ENGIE, nasceu no mesmo ano cindida da Eletrobras.
Transmissões Paulista, Geração Tiete (hoje, AES Tiete) da CESP.

Em setembro de 1998 foi criado para negociação o primeiro ativo com moldes de ETF na bolsa, o RCTB, recibo representativo da carteira de Telebras, os constituintes dessa carteira eram as 12 empresas oriundas da cisão da empresa, além do seu residual, negociado até hoje como TELB (em 1999, a bolsa tentou novamente essa formula com os ativos cindidos da CESP, mas não caiu nas graças dos investidores, ao contrário do RCTB que era o mais negociado).

Ao longo de 10 anos toda essa infinidade de teles criadas foram sendo consolidadas nos conglomerados que vemos hoje, ainda bem!

Commodities

No começo da nova década (2001, 02, 03 e 04) já se notava uma forte migração das mais valiosas em bolsa para as empresas de commodities, enquanto que as teles ficaram relativamente estagnadas com isso foram perdendo espaço no índice, o resto tudo subia, a carteira IB30EW conseguiu captar esse movimento, tanto que ao longo da década ficou praticamente colada ao índice oficial.


Gráfico dos lucros por ação das mineradoras mundiais e sua previsão no pico do super ciclo.

O nível de euforia com o super ciclo das commodities está representada acima.

Tudo era festa, praticamente tudo subiu, nenhuma alma viva reclamava do índice da Bovespa, alguns nomes que antes dos anos 2000 eram meras small caps tiveram as mais expressivas rentabilidades, nomes dessas empresas estão em outros “estudos de B&H” para consulta, mas até o final dessa parte não entraram no ranking das 30 mais valiosas.
  
Discussão, comentários, sugestões de estudos, por favor publique no fórum do site. Até a próxima parte 2008 a 2017, fechando o estudo.



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