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Escrito por ali baba    27/03/2017 13:15:19

Quando é mais fácil ir pelo caminho mais difícil


Quando perguntaram a Voltaire se em suas extensas viagens havia encontrado um traço comum a toda humanidade, ele, com sua sagacidade, sem titubear, afirmou: “Sim! A preguiça!”

Embora eu não acredite que a preguiça seja o traço comum a todos nós, e que aquele foi apenas mais um dos milhares de comentários jocosos usados pelo filósofo, jogador e bon-vivant para desconcertar seus interlocutores, o fato é que temos de admitir, nós adoramos o caminho mais curto. 

É quase doloroso ter de andar até o semáforo para atravessar na faixa de pedestres, e se houver oportunidade, você vai atravessar a rua aonde lhe for mais conveniente. E antes que alguém me fale sobre as virtudes e educação dos nórdicos, que certamente não atravessariam uma rua a não ser onde expressamente permitido, é só ver como se comportam após uma imersão de duas semanas em terras tupiniquins.

Existe até uma lei para esse comportamento: A Lei do Menor Esforço. Tão inexorável quanto a lei da gravidade, à primeira vista. Mas, caro leitor, após exame mais aguçado através das lentes da experiência, afirmo sem medo de errar que quando o assunto é negócio, muitas vezes o mais fácil sai muito caro.

Examinemos a primeira decisão de negócios que os filhos da classe média tomam hoje em dia: a faculdade. 
A maioria esmagadora dos pais toma a atitude de delegar a seus filhos a decisão que afetará suas vidas para sempre. “Filho(a), o importante é você fazer algo que ame de verdade.” Essa é a mentira mais covarde que poder-se-ia contar a um jovem.

Você, se tem algum juízo, não confiaria a chave do seu carro ou o seu cartão de crédito Black a um adolescente, mas entrega a decisão da escolha de carreira como se fosse algo completamente natural, e ainda por cima engana seu filho dizendo que ele tem que fazer algo que ame.

Só para esclarecer, há somente uma ou duas vagas de fotógrafo da Playboy por década, então esquece. Tirando alguns privilegiados que vem ao mundo com um claro dom artístico, atlético ou queda para matemática, a maioria dos jovens não sabe o que quer ou ama, e vão optar pelo que demandar menos esforço ou que estiver na moda.

Quantos médicos ou advogados famosos você conhece e que agora não podem passar suas clínicas e escritórios para seus descendentes porque os pimpolhos decidiram que queriam fazer sociologia, administração ou artes cênicas? Quantos jovens que poderiam ser médicos se contentaram em ser fisioterapeutas, não por vocação, mas porque era mais fácil? Nada contra fisioterapeutas. Voltei a andar graças a uma delas, mas, quanto ganha um médico e quanto ganha um fisioterapeuta?

E se você me disser que o importante é ser feliz, então você é um alienado, hipócrita ou simplesmente tem a profundidade de um pires e está se esquivando de admitir a realidade. Tente ser feliz na profissão com um oficial de justiça tomando seu carro e sua luz cortada, aí a gente conversa.

Não interessa o quanto você é apaixonado por algo, depois de alguns anos de sangue, suor e estresse, é só uma profissão. Então oriente e encoraje seus filhos a escolher a mais difícil e que pague melhor. Esse é o mundo real, não das baboseiras sobre paixão. Desde que você não odeie sua profissão, já está bom. Faça o que ama como hobby. O interessante é que depois de adultos, muitos ainda continuam com essas ilusões.

Tenho amigos que largaram carreiras lucrativas para trabalhar nas suas paixões. Alguns montaram bistrôs gourmet (nem sei bem o que é isso), compraram vinícolas na Argentina, abriram galerias de arte, escolas de música, etc. Só tem um problema... eles não eram os únicos que amavam essas coisas. Quando a concorrência profissional e desapaixonada esmagou seus sonhos e drenou suas carteiras, vi muitos chegarem à beira do desespero. Não é uma cena bonita ver um outrora executivo poderoso, dizendo com voz embargada e olhos marejados que não sabe o que vai fazer da vida.

Quer montar um negócio? Então faça o que sabe fazer, ou se meta em algo difícil, com muita burocracia ou outras barreiras de entrada nada sexy.
Eu sei que é contra intuitivo, mas o que é mais difícil na aparência, às vezes é mais fácil na realidade. Ou, melhor dizendo, o que é mais difícil no curto prazo, pode gerar bons frutos a médio e longo prazo.

A recomendação que dei ao meu filho (obviamente ignorada) é de que largasse a faculdade e se embrenhasse nos confins da África, onde ainda se pode fazer fortuna com alguma educação, um mínimo de visão e muita tenacidade (experiência própria).

Assim como meu filho, uma geração de jovens, acostumados aos mimos e confortos da vida na cidade grande, optará por permanecer dentro de suas zonas de conforto. É o velho “tá ruim, mas tá bão!”. E é aí que mora a oportunidade para o menos privilegiado e mais ousado. 
Ninguém acha petróleo ou ouro no quintal de casa. Isso só brota em lugar inóspito. É como se a própria natureza tentasse nos dizer para levantar a bunda do sofá e fazer algo difícil.

Quer ser empresário? Procura a categoria de negócios com a pecha de muito difícil, ou impossível, ou os locais mais remotos.

Quando você escuta algo do tipo “Ah não! Sai fora! Isso aí é uma máfia...” presta atenção que há uma oportunidade. Até a Cosa Nostra precisa recrutar gente boa. O que o cidadão está querendo dizer na verdade é que é muito difícil entrar e que ele prefere ficar do lado de fora do baile, reclamando. Ou então “Vixe! Prá conseguir uma licença ambiental e tirar o alvará disso é quase impossível!”. Normalmente significa que é impossível para ele, talvez para você não seja. Ainda tem aquela: “minha mulher não me deixa ir pra esse fim-de-mundo”, que significa que o autor da frase além de ser um pusilânime submisso à esposa que será oportunamente trocado por um homem de verdade, prefere a morna mediocridade à chance de glória.

Esse “approach” normalmente é mais fácil para quem é do contra. Caso desse que vos fala. Mas mesmo quem não tem essa índole, consegue aplicar essa técnica após alguma reflexão e muitas dores-de-barriga.

Agora que você leu o texto acima, se está em dúvida sobre a veracidade do que eu afirmo, olhe ao redor e identifique as pessoas de mais sucesso que você conhece. Quantas ficaram ricas ou pelo menos vivem uma vida sem preocupações financeiras e que “seguiram suas paixões”? 

A verdade é que mesmo que você encontre alguém que tenha atingido o sucesso e te diga que ama o que faz, as duas maiores possibilidades são que o cara ama algo bem difícil, ou se convenceu que ama para não esmorecer.

Forte abraço,

Ali Baba



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