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Escrito por Ali Baba    21/03/2017 15:37:18

Administrando sua empresa como um navio


Existem muitos paralelos entre a vida no mar e o mundo dos negócios. Você pode encontrar até alguns livros de ex-marinheiros te dando lições de como administrar sua vida ou empresa, mas esses caras tiveram sucesso no mar e não nos negócios.

Aqui no Oceans14 a gente só pode falar do que vivencia. Naveguei muitos anos, administrei empresas de navegação e montei a minha. Hoje tenho várias empresas e me sinto plenamente capaz de tecer uma analogia entre o mar e o mundo dos negócios pois logrei êxito em ambos, sem falsa modéstia.

Então aqui vão, em breves linhas, os pontos gerais que podem te interessar:

A)    Preparando o navio:


  •  Tripulação competente e preparada para as adversidades;
  •  Estiva da Carga: arrumação do que será entregue ao cliente. Os serviços devem estar em dia;
  •  Documentação: vivemos em um mundo burocrático. Tenha cuidado com suas licenças, outorgas, tributos e toda a papelada que envolve o seu negócio;
  •  Manutenção: Se você notar algo errado, conserte. Sistemas mais complexos demandam outro tipo de manutenção (preventiva ou preditiva). É preciso entender qual funciona para você antes de usar.
  • Sistemas: tenha um sistema simples, que você consiga implementar e que seja capaz de funcionar perfeitamente sem muita frescura ou demanda de tempo. Deve ser capaz de te dar um retrato de como o seu navio (empresa) está funcionando, em tempo real.

B)    Planeje e defina a rota:

  • Defina o destino: defina objetivos, onde você quer que a sua empresa chegue, quais os mercados onde você irá entrar, qual market share você quer, quais concorrentes irão bater. Definido o destino, poucas coisas podem lhe desviar e lembre-se: é preciso ter gana para alcançá-los.

  • Trace waypoints: serão os seus pontos de referência para eventuais guinadas. Basicamente é conhecer o próprio negócio, o ambiente no qual você opera, para saber o melhor caminho para atingir seus objetivos, evitando perigos desnecessários e alcançando suas metas com economia.

C)    Navegue e monitore condições:

  • É hora de navegar rumo ao seu objetivo. Uma vez navegando, comece a monitorar as condições do navio, a rota, os tripulantes e a meteorologia.
    Fazendo um paralelo ao mundo dos negócios, é monitorar a saúde financeira e operacional, o nível de comprometimento da equipe e se as condições que você imaginou realmente existem – ou se terá que fazer um ajuste.

D)    Ajuste de rota:

  • Como não existe cenário ou plano perfeito, é sempre preciso ajustar a rota. Se você planejou bem, se coloca em situações em que o ajuste pode ser feito com folga, existe margem de manobra. Se não planejou ou planejou mal, terá que ajustar em águas inóspitas. É preciso monitorar constantemente, e ajustar de acordo com o que a situação demandar, sem tirar o foco do destino.

E)    Entregue o que prometeu, no tempo que prometeu:

  • Atrasos ou avarias em cargas são péssimo negócio, mesmo que o seguro cubra (às vezes). No seu negócio não é diferente.
    Há um numero limitado de clientes, e você os quer satisfeitos. Mas, como nos contratos marítimos, tenha uma cláusula de Força Maior que te permita sobreviver para lutar outro dia, caso tudo dê errado.
O capitão que planeja direito cria tantos cenários alternativos, tantos backups que, por mais que saia tudo diferente do que foi planejado, sairá uma combinação desses cenários, e será preciso improvisar bem menos.

Agir por intuição (sem planejar) e fazer no improviso é, como chamamos na Marinha Mercante, o caminho para as pedras. Batendo na pedra, o navio pode ir à pique, e você não terá muito o que fazer, a não ser chamar uma empresa de salvatagem, que vai te cobrar uma fortuna para te salvar de algo que você poderia ter evitado.

Eu trabalhei em alguns casos desses. Na minha primeira salvatagem eu tinha 29 anos e tinha acabado de assumir como chefe-de-máquinas em um pequeno rebocador, em Salvador. 

Recebemos a mensagem de um navio em chamas próximo a Porto Seguro. Saímos com esse rebocador, pequeno, que balançava muito. Chegando no navio, a cena era a de um inferno em alto mar, algo impressionante. Estávamos a 300 metros e sentíamos o calor como se estivéssemos próximos a uma fogueira. Via a chapa de aço do costado ficar rubra. Jogamos muita água e conseguimos salvar o navio.

Usamos canhões de incêndio e um bote de borracha que o motor de popa só funcionava em alta rotação. Era muito perigoso, e eu pensava "ainda tem fdp que paga para fazer esportes radicais."

Numa outra vez, um navio carregado de 60 mil toneladas de óleo cru perdeu máquina e governo próximo a Abrolhos.

Seria um senhor desastre ecológico. 

Saímos com um tempo muito ruim, o nosso rebocador não tinha a capacidade de fazer aquele reboque... mas éramos os únicos disponíveis no NE. 

Rebocávamos um gigante, e ao fazermos isso, a corrente ou o vento viravam... e o navio arrastava o rebocador. Quase afundamos várias vezes, e eu realmente pensei que fôssemos morrer. 

Mas tudo deu certo. E por que? Porque tínhamos planejamento, preparo, equipe unida e claro, Deus a nosso lado. Aqueles a quem salvamos falharam em planejar e se preparar. Tripulações melhores teriam levado aqueles navios em segurança ao seu destino, mas ao invés disso, quase os levaram a ruína. E nós lucramos com a incompetência alheia.

E você? Vai planejar e se preparar ou quer o meu telefone para uma salvatagem?

Bons ventos,

Ali Baba

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