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Escrito por Malandro    13/03/2017 21:34:53

História do Mercado - A Era das telecoms e utilities


O intuito desse estudo é criar um índice retrospectivo do mercado de ações brasileiro, retirando as distorções de pesos do principal índice brasileiro o Ibovespa (Ibov), para isso fui buscar no acervo de Boletins Diários da Bolsa os preços das principais empresas, em valor de mercado, ao longo desses 30 anos.

A metodologia para criação do novo índice, chamado Índice Brasil 30 EW (IB30EW), é reunir as 30 maiores empresas de capital aberto em valor de mercado com pesos iguais na carteira com revisão anual, em dólares americanos para expurgar a inflação das moedas brasileiras, como é o Indice Dow Jones Industrial Average (DJIA), mas com o método de Equal Weight (EW).

Apresentarei os artigos em 3 partes de 1988 a 1997, 1998 a 2007 e 2008 a 2017, com referências a rentabilidade contra o IBOV Dolarizado, assim como algumas curiosidades dos períodos, no final do estudo a rentabilidade do novo índice contra a Renda Fixa.

Um dos motivos para criação do IB30EW foi investigar como as distorções de pesos entre os ativos da carteira IBOV interferiu no desempenho de longo prazo (LP), outro motivo, é dispor do IB30EW para subsidio de estudo, sem viés, do método de Buy n Hold (B&H) no mercado brasileiro.

Sabe-se que o IBOV em certos períodos longos de tempo desempenhou pobremente em relação a RF. Com isso, os adeptos ao método B&H criaram estudos com carteira de empresas de valor, chegando à conclusão que se propuseram, carteiras de empresas valiosas não perdem para RF. Mas como todo estudo que se preze, para o mínimo de validação teórica, a tentativa de eliminação dos vieses característicos quando se trata da escolha das empresas para formação da carteira teria que ser o principal objetivo, mas infelizmente não é isso que ocorre, estudos pela internet chegaram ao cúmulo de criar carteiras de empresas com rentabilidades acima de 20% ao ano, durante décadas, deixando investidores como Warren Buffett e George Soros no chinelo.

O principal viés utilizado é o survival of the fittest, ou viés do vencedor, pega-se a empresa que sobreviveu ao longo do período do estudo e que são valiosas na data de hoje e coloca-se na carteira, as empresas que eram valiosas e hoje não são mais ou empresas boas que fecharam capital na baixa do mercado, simplesmente esquece-se que existiram um dia, dando a falsa impressão que essa rentabilidade pornográfica alcançada é fácil de ser conquistada com o método proposto.


Esquematização do excesso de retorno sobre o SP500 ao longo do tempo conquistado pelos maiores investidores do mundo.
*Excesso da rentabilidade de carteiras sobre o IBOV dolarizado de estudos de Buy and Hold com a utilização de viés do vencedor.

A ideia não é desmerecer um ou outro método de investimento em ações, mas sim dar subsídios teóricos concretos para discussão e estudo correto sobre o tema.

Primeira Parte (1988-1997)

A história econômica do país muitos estudaram, a história do mercado de capitais, poucos.

Nessa primeira parte o divisor de aguas para o mercado foi o ano de 1990, com o Plano Collor.

A carteira do IB30EW até então era formada por empresas industriais, dos mais variados setores, além das tradicionais estatais Petrobras e Vale do Rio Doce e os bancos financeiros. Curioso que antes de 1990, as companhias elétricas não figuravam entre as 30 mais valiosas.

Veio o Plano Collor em março de 1990, a maior destruição de valor das empresas da história, praticamente instantânea em tempo, a maior queda do IB30EW foi a Polipropileno (figurava entre as 20 maiores), empresa do setor petroquímico, hoje incorporada a Braskem, vinha de um valor de mercado (VM) de anos anteriores na ordem US$340 milhões em março de 90 chegou ao valor de irrisórios US$ 942 mil, menos de 1 milhão de dólares.

Apesar de ter sido o fundo histórico da década, muitas das mais valiosas empresas (precisamente 50% das top 30 em valor), simplesmente não reagiram, algumas ficaram laterizadas perto do fundo de 1990 e outras, pulverizadas em valor, caindo no esquecimento nos anos posteriores.

A partir de 1991, surgiram as primeiras rodadas de privatizações, entre elas, Usiminas, o setor de telefonia e o setor elétrico começaram a figurar entre as mais valiosas do mercado, para ter uma ideia da valorização de mercado sobre as privatizadas, a soma dos valores de mercado, em dezembro de 1991, de Telebras e Eletrobras eram iguais a soma de Petrobras, Vale, Bradesco, Itau, Banco do Brasil e Brahma juntas! Permanecendo as mais valiosas do mercado até o final da parte I, coincidentemente, também marcou o final do Bull Market iniciado no começo da década de 90.

Abaixo a evolução dos Índices IB30EW e IBOV, os dois dolarizados.



Evolução dos índices IBOV e IB30EW de 1988 a 1997

- IB30EW: Rentabilidade de 26 % a.a.
- IBOV Dol: Rentabilidade de 25,4% a.a. no período de 1988 a 1997.

Uma das recordistas de rentabilidade no período:



As duas carteiras com praticamente a mesma volatilidade, com tendência ao IB30EW ser menos volátil (compilação das outras partes dos dados poderão comprovar).




Apesar das rentabilidades serem praticamente iguais, interessante observar que mesmo a carteira do IBOV contendo pesos astronômicos, chegando a 50%, em 1 ativo (caso de Telebras) o risco da carteira concentrada, nesse período, não foi compensado por uma rentabilidade maior (em outras partes do estudo poderemos comprovar se essa concentração em ativos produziu efeitos a favor ou contra a rentabilidade, comparadas ao IB30EW), mas, por outro lado, por vias tortas, o IBOV conseguiu demonstrar razoavelmente bem a evolução do mercado de ações, no período estudado.

Discussão, comentários, sugestões de estudos, por favor publique no fórum do site. Até a próxima parte 1998 a 2007.


 



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