1. Home
  2. Artigos
  3. Lifestyle
  4. Vale do Colchagua, Chile

Escrito por Struggle    11/03/2017 23:23:40

Vale do Colchagua, Chile


Se você gosta de vinhos, provavelmente já provou um vinho chileno. Figurando como o quinto maior exportador de vinhos e o nono maior produtor mundial, o Chile é um grande expoente da vitivinicultura. E se você gosta de viajar, nada como conciliar vinho e viagens. Não é de se admirar que o enoturismo se desenvolve a cada dia, com novos e fiéis adeptos a cada dia.


Com o decorrer do tempo, você poderá constatar que existe uma sólida correlação entre vinhedos e lugares belos, aprazíveis e memoráveis. Sim, há uma crença que a beleza geográfica é um pré-requisito para o bom desenvolvimento dos vinhedos! 

Desde a colonização espanhola, o Chile já contava com a presença da Vitis vinifera em seu território. Já no século XVIII há o registro da introdução das varietais Cabernet Sauvignon, Merlot e Carménère. Mas foi na década de 80 (século XX), com a introdução de dornas de inox e de barricas de carvalho no processo de vinificação, é que o Chile conheceu um verdadeiro salto quantitativo e qualitativo, com uma verdadeira explosão nas exportações. Hoje, o vinho chileno chega ao mercado mundial com uma qualidade atestada e preços muito competitivos. 


Figura 1: Os vinhedos chilenos representam uma fatia significativa da riqueza do país (fonte: acervo pessoal).

Figurando como o país de maior renda per capita da América Latina, o Chile possui uma economia diversificada e foi um dos países que conheceu um dos maiores ganhos na produtividade econômica, em comparação aos seus pares latino-americanos. Com uma tributação de cerca de 20% do PIB, figura entre as economias mais livres do globo, com uma grande cultura empreendedora. E, dentro da economia chilena, a indústria vitivinífera representa uma fração importante do produto interno bruto do país, gerando empregos e desenvolvimento sustentável às inúmeras regiões produtoras. 

Dotado de um clima favorável, dentro de sua inusitada geografia, com um verdadeiro isolamento físico - deserto do Atacama ao norte, cordilheira dos Andes ao oriente, a gélida Patagônia chilena ao sul e o oceano Pacífico ao ocidente - as regiões vitiviníferas chilenas concentram-se na região central do país, com solo e clima muito favorável para a produção do vinho. Com verões extremamente secos e invernos chuvosos, o país é dotado de uma grande amplitude térmica, o que proporciona condições adequadas ao seu frutífero terroir. 

Foi este isolamento geográfico que proporcionou uma grande proteção às suas vinhas, sendo que até hoje o país persiste livre da filoxera, praga que dizimou os vinhedos no mundo no século XIX. Esta proteção levou à redescoberta da uva Carménère em 1994 pelo ampelógrafo francês Claude Valat, cultivada como uva Merlot em solo chileno. Esta uva bordalesa era considerada extinta, e seu ressurgimento veio a fortalecer ainda mais a vitivinicultura chilena. 


Figura 2: O vinho chileno descansa em barris de carvalho antes de ganhar o mundo (fonte: acervo pessoal).

Próximo à Santiago é possível conhecer inúmeras regiões produtoras, e dentre elas, vamos visitar desta vez a região do Vale do Colchagua. Facilmente alcançado ao se tomar rumo sul desde Santiago, chegamos ao nosso destino com cerca de duas horas de viagem pela Ruta 5.  Partindo de Santiago é possível percorrer o vale em um dia, mas como há boas atrações aqui, vale a estadia por alguns dias, para sentir um pouco mais o ambiente e suas características.

Podemos elencar as seguintes vinícolas como grandes representantes do Vale do Colchagua: Casa Silva, Lapostolle, Montes, Siegel, Ventisquero e Viu Manent. Todas elas facilmente reconhecidas pelos entusiastas. Destas, ressalta-se a possibilidade de hospedagem na vinícola Lapostolle (não aceitam crianças). Outra dica, é a hospedagem no Tumuñan Lodge, pousada com um pequeno projeto de vitivinicultura encravado no alto da cordilheira. Wiiliam, um aristocrático e extrovertido inglês radicado no Chile há vários anos, e Carolina, sua esposa e competente chef do restaurante da pousada, primam pela hospitalidade. 

E para o leitor do Oceans14, separamos uma grande exclusividade. Como uma grata surpresa, ainda é possível também conhecer um espetacular e multimilionário projeto recém-implantado: a vinícola VIK, localizada no Vale Millahue, muito próximo ao Vale do Colchagua. 


Figura 3: Ao adentrar o restaurante da vinícola VIK, é possível sentir a exclusividade (fonte: acervo pessoal).

Trata-se de uma propriedade com 4.325 hectares, com cerca de 500(!) hectares de vinhas recentemente plantadas. Com uma infra-estrutura muito avançada e com amplas e modernas instalações, a vinícola VIK projeta-se com uma intenção de elaborar um vinho tinto de classe mundial, utilizando as varietais Cabernet Sauvignon, Carménère, Merlot, Syrah e Cabernet Franc. O assemblage é feito ano a ano, de acordo com a produção dos seus diferentes vinhedos. Ainda é possível almoçar em seu sofisticado restaurante (Figura 3), no alto de uma colina, com uma fantástica visão de toda a propriedade. A degustação em sua magnífica cave se inicia com a prova isolada dos varietais e culmina com a degustação do assemblage. Também é possível hospedar-se em um dos exclusivos quartos do hotel, desde que se disponha da bagatela de US$700 por pessoa em cada diária...

A cidade de Santa Cruz serve como o centro urbano para a região e vale uma visita, seja para conhecer o cotidiano do Chile interiorano, seja para uma visita ao Museo Colchagua, instituição privada com um riquíssimo acervo de história natural, história do Chile e relíquias que nos apresentam a epopeia de resgate dos 33 mineiros presos em uma galeria subterrânea no norte do país.

Com alternativas para todos os gostos e bolsos, o Chile representa um destino certeiro para a sua viagem enoturística, seja para a contemplação de suas belezas naturais, seja para a degustação de seus memoráveis vinhos.

Saúde e boa viagem!



Gostou do texto? Cadastre-se no site e começe a seguir o usuário Struggle. Sempre que ele postar um novo artigo, você será notificado.

Para ler outros textos do usuário Struggle, clique aqui.



Comentários


Ainda não existem comentários para este artigo.