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Escrito por Ali Baba    08/03/2017 19:12:09

A virtude da paciência nos negócios


Paciência, persistência, vontade, foco, capacidade de trabalho, sorte, visão, humildade/arrogância e otimismo. Os primeiros 5 itens estão dentro do que eu chamo de Gana do Empreendedor, os últimos quatro estão dentro da Estrela do Empreendedor. Hoje vamos explorar o primeiro item: a paciência.

Roma não foi feita em um dia. Nem Paris, São Paulo ou Pindamonhangaba. Aonde existir riqueza pode ter certeza que, entre todos os outros fatores que contribuíram para sua construção, estará a paciência. Oculta em cada tijolo, escondida em cada copo d’água mineral que você toma, lá está ela. Algum empreendedor teve muita paciência até que pudesse te vender uma casa, um bife ou um telefone. 

Procure na sua própria cidade e você encontrará vários exemplos de como a paciência recompensou quem soube esperar.

Para ilustrar o que estou falando, imagine que a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, era mato e pântano há apenas 50 anos, e que pertencia a dois ou três indivíduos. Imagina quantos bilhões (com B) aquilo vale hoje em dia.

No último boom imobiliário da região, a família Carvalho Rosken, por exemplo, capitalizou a oportunidade e lançou sub-bairros inteiros, junto com seus parceiros comerciais. Bilhões foram feitos...muitos deles.

Pra isso acontecer, o velho Rosken teve que ter visão e uma paciência de Jó. Comprou terras lá quando ninguém queria, esperou décadas, teve que enfrentar uma burocracia bizantina (embora eu suspeite que nossos antepassados do Império Romano do Oriente, eram fichinha perto de um cartório carioca), provavelmente teve que chegar a acordos com dezenas de posseiros da área e depois encontrar os parceiros adequados para desenvolver e, finalmente, vender. Mas eu te asseguro, valeu a pena!

Pra cada real investido, incluindo a terra e todas as dores de cabeça, ele deve ter tirado algo em torno de R$1000,00 (apenas um chute). Se você soubesse que um investimento de R$1.000,00 hoje, se transformaria em R$1.000.000,00 em 30 anos, você realizaria essa aplicação? Tenho certeza que sim; eu também. O problema é que nos negócios nada é certo. Mas a paciência é o adubo do seu futuro. Sem ela, nada floresce até o esplendor.

E prepare-se para ser paciente contra todas as vozes que vão te chamar de louco, burro e otário. Principalmente dentro de casa. Cônjuges, parentes e até filhos adoram te julgar, chegando a torcer contra você, mesmo que isso afete a vida deles negativamente. Não me pergunte o porquê e nem me diga que sua família é diferente, até você tirá-los da zona de conforto. É impressionante como as pessoas reclamam mas adoram o status-quo.

Mas quando estiver a ponto de esmorecer, lembre-se que você só precisa de um projeto que dê certo de verdade. Só um. E todos se calarão, porque você é um Titã. Você move o mundo. Não esqueça disso.

Nossa amiga Paciência é sua aliada. Ela vai te confortar nas noites de insônia. Como uma mãe carinhosa vai te contar histórias de prosperidade, glória e riqueza que vão te fazer dormir sonhando, e acordar pronto para mais uma batalha. Vai te reconfortar após cada erro e após cada fracasso.

Eu morei e fiz negócios na África durante quatro anos. É um lugar que a despeito do que a televisão te conta, eu acho maravilhoso. Gostava das oportunidades que se apresentavam lá, do clima, dos animais selvagens e das pessoas. Sinto falta e, de vez em quando, ainda acalento a ideia de voltar.

Uma noite eu estava insone, com a corrente sanguínea cheia de adrenalina e o coração de raiva. Um cliente malicioso insistia em travar uma guerra contra mim, mas os detalhes sórdidos dessa história ficam para outra ocasião. Basta saber que havia muito em jogo, meu futuro e o da minha família seriam afetados drasticamente se eu perdesse aquele negócio. Lá pelas duas ou três da manhã fui andar descalço no jardim e o vigia da casa ao lado me viu. Ele se chamava Faufana (pronuncia-se Fofana) e tinha vindo de uma tribo do Mali. 

Normalmente o infeliz dormia a noite toda e era tão imprestável como vigia quanto meu cachorro que roncava como um porco, mas essa noite, ele também parecia insone. Eu gostava de conversar com ele porque tinha um riso fácil e sincero, como somente as crianças ou os africanos são capazes. E ele gostava de nós porque sempre sobrava pizza às sextas-feiras e provavelmente eu era o único branco que se dava ao trabalho de parar por meia-hora para escutá-lo reclamar da esposa todos os dias. Enfim, nos ríamos amiúde e desenvolvemos uma boa amizade. 

Ao me ver caminhando no jardim ele veio sorrindo “bonsoir patron!”. E atamos conversação num francês macarrônico tanto de lá, quanto de cá. Fazíamos uma dupla no mínimo curiosa, gesticulando como italianos e tentando falar francês. Após as trocas de cortesias de sempre, ele me perguntou “Patron, está preocupado de novo?”, e após ouvir pacientemente minha história, da qual estou certo que ele entendeu 30% no máximo, virou para mim e disse “Patron, sabe como a gente come um elefante na minha terra?”  Ao ouvir aquela pergunta que implicava uns 30 anos de cana por crimes ambientais, acenei negativamente a cabeça. “A gente come um bocadinho de cada vez”, soltou uma risada, levantou, se despediu e voltou para a casa do lado. 

Assim como a tribo do Faufana, nós precisamos a aprender a mastigar um bocado por vez, com muita paciência. Essa história do meu amigo maliano me deu fôlego naqueles dias e me ajudou inúmeras vezes no decorrer dos anos. Você não precisa atravessar o Atlântico para escutar histórias interessantes ou aprender a ter paciência. Mas quando estiver a ponto de jogar a toalha ou o desafio parecer impossível, lembre-se que pigmeus caçam elefantes há séculos e os devoram inteiros, um pedaço após o outro.

Boa jornada,

Ali Baba

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