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Escrito por rfalci    08/03/2017 17:38:25

Comportamento sexual & saúde


Colaborou Dr. Renato Falci Júnior, urologista do HC da Faculdade de Medicina da USP.


Nascemos homens ou mulheres, determinados geneticamente pelo binário XX ou XY, e, a partir do nascimento, sobre essa base genética, vamos adicionando comportamento à identidade sexual, principalmente pela figura paterna e materna, até nos tornarmos adultos. Distúrbios genitais, genericamente chamados de intersexo, ocorrem na ordem de 1 para cada 166.000 nascidos vivos e portanto são extremamente raros. Não existe até o presente dado científico que comprove que o ser humano tenha determinação genética diferente de masculina ou feminina. É o que nos mostra a ciência até o presente e tais dados estão à disposição de todos (https://www.acpeds.org/the-college-speaks/position-statements/gender-ideology-harms-children).

Uma vez atingida a maturidade sexual, a maioria das pessoas apresenta comportamento sexual masculino ou feminino. Segundo pesquisa sobre orientação sexual do CDC (Center for Disease Control and Prevention) de 2013, 96,6% dos americanos se declara homens ou mulheres, 2,3 % LGBT e 1,1% declarou não saber responder. (https://www.cdc.gov/nchs/data/nhsr/nhsr077.pdf). 

Sabemos que as doenças sexualmente transmissíveis, as DSTs, representam um grande problema à saúde, sendo algumas incuráveis como a infecção pelo HIV e algumas hepatites, algumas relacionadas ao câncer como a infecção pelo HPV, que está associada ao câncer de colo de útero, de laringe, de amígdala e de reto e algumas DSTs que deixam graves sequelas como, por exemplo, a gonorreia e a clamídia, que podem levar à estenose de uretra ou à infertilidade. Mas o que isso tem a ver com o comportamento sexual? 

Apesar do artigo ser sobre saúde, vamos recorrer à matemática e às probabilidades para compreender melhor. Quando chamamos um corretor de seguros para fazer um seguro de carro, por exemplo, ele nos dará uma ficha com uma série de perguntas em relação ao motorista e seus hábitos. Com isso, pelas estatísticas, a seguradora calculará a probabilidade de sinistro e determinará o prêmio por aquele seguro. Transpondo esse raciocínio para a saúde, quando alguém decide doar sangue – e todos sabem que a transfusão de sangue tem um potencial de transmissão de doenças, felizmente e graças a este controle, extremamente baixo atualmente – passa por uma entrevista de triagem, onde várias perguntas são feitas, inclusive sobre comportamento sexual. E, pasmem os ativistas, muitos bancos de sangue descartam potenciais doadores que tiveram mais de um/a parceiro/a nos últimos 12 meses. É isso mesmo. A fim de garantir uma transfusão de sangue segura, muitos bancos de sangue excluem doadores que tiveram determinados comportamentos de risco para contrair doenças transmissíveis. O objetivo é claro, reto e moral: preservar a saúde de quem está recebendo o sangue. 

Podemos ainda enriquecer nosso artigo mostrando alguns dados do CDC americano. Nesse grupo que se declara LGBT, que corresponde entre 2 a 3% da população americana estão concentrados 55% dos portadores de HIV, 82% dos casos de sífilis, 37% dos casos de câncer anal de 78% das DSTs de um modo geral. Portanto, sem entrar no mérito do comportamento sexual de cada um, ter comportamento  LGBT oferece um risco à saúde. 

Vamos usar outro exemplo, que se aplica aos restantes 97% da população sexualmente ativa: sabemos que o HPV, vírus causador da verruga genital e também responsável pelos cânceres de colo de útero, de anus, de reto, de laringe, de amígdala entre outros está presente no colo do útero em até 50% das mulheres com vida sexualmente ativa. Portanto, aleatoriamente, a cada duas parceiras, um homem terá entrado em contato com esse vírus. Para temperar essa discussão, o leitor precisa se conscientizar que o preservativo não protege de forma eficiente para a transmissão do HPV, pois basta qualquer área de contato durante a relação sexual para que se transmita o vírus. Haja vista os casos de HPV em laringe, ânus, reto, amígdala, vulva, pênis, escroto, região inguinal etc. Se lembrarmos das probabilidades aprendidas no colegial, veremos que quando nos expomos a um determinado risco por múltiplas vezes, as probabilidades se somam. Então não é necessário um raciocínio muito elaborado para entender que a exposição a múltiplos parceiros aumenta o risco de transmissão de doenças. 

Diferente dos animais e vegetais, o ser humano é dotado de livre arbítrio, ou seja, diante de um desejo, ele pode tomar a decisão de executá-lo ou não. O comportamento sexual humano, assim como as demais atitudes humanas, é um ato livre e, conhecendo os dados apresentados neste texto, ele pode livremente decidir a magnitude do risco ao qual quer expor sua vida.

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