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Escrito por rfalci    04/03/2017 20:47:03

Poupe, poupe, poupe


Muitos de nós já enjoamos de ouvir aforismas do tipo: “quem não faz dívida não progride”, “quem poupa não curte a vida”, “o importante é o dia de hoje”, “quero viver o presente”, “o importante é ser feliz”e uma lista sem fins de frases que sequer servem para escrever em para-choques de caminhão. Nada de novidade para uma geração hedonista, educada na novilíngua e que,consequentemente, perdeu a capacidade de pensar. Mas, venho informá-los que as afirmações acima, do ponto de vista financeiro, são desprovidas de sustenção, seja pela lógica, seja pelos fatos históricos. 


A base de um sistema econômico saudável é a poupança. Isso vale para a economia individual e para a economia de um país. É através do acúmulo de capital (riqueza) que se viabiliza os investimentos e o avanço tecnológico, cuja demanda é estabelecida pelo consumidor. Em um sistema econômico não existe a necessidade de todos os indivíduos serem poupadores, mas a soma dos poupadores deverá ser maior que a dos consumidores do capital – e o mesmo raciocínio vale para uma família. Portanto, o poupador, o acumulador de bens de capital é o motor de um sistema econômico saudável (aceitem ou não os socialista, mas isso é um fato). Exemplos não faltam: a Inglaterra, após a revolução industrial, os Estados Unidos da América e até a Suécia que, após um século de acúmulo de capital, pôde se dar o luxo de virar socialista e ainda ser viável economicamente, apesar da degeneração moral de sua população, demonstrada pelas altas taxas de uso de drogas, abortos e suicídios no país. 

Vamos levar esses conceitos para as finanças pessoais. Digamos que planejemos nos aposentar algum dia. Será necessário trabalhar (gerar riqueza), acumular essa riqueza (poupança), colocá-la à disposição da sociedade (investimentos etc) para que ela seja remunerada e assim, com a remuneração desse capital, ter dinheiro para viver quando velhos. Enfim, a preferência temporal pela riqueza gerada pelo trabalho dará o sustento da velhice. Aqui que entra a matemática dos juros compostos, exemplificado no gráfico abaixo:



 Gráfico 1: exemplo da importância dos juros compostos. Neste gráfico foi considerado um único aporte de capital submetido a uma taxa de juros mensal fixa.

Notem a inclinação da curva: é perceptível a importância do fator tempo. É essa a mensagem deste artigo: precisamos poupar e começar afazê-lo o mais cedo possível. Quem tiver um conhecimento básico nas fórmulas financeiras do Excel ou de uma calculadora financeira poderá passar um tempo “brincando com elas” a fim de ter uma noção de valores. Não se assute: esses valores são altos, mas perfeitamente viáveis quando se administra o fator tempo. Entre os indivíduos que se propõem a poupar, uma grande parte fracassa e a causa principal do fracasso é o início tardio. Supondo que a maioria deseje da aposentar no final da sexta década devida, podemos concluir que quem começou a poupança com 20 anos tem alta probabilidade de atingir seus objetivos, enquanto quem deixou para depois dos 40, provavelmente fracassará. A realidade é dura, mas ignorá-la será pior. Ainda olhando esse gráfico, ouso colocar um segundo objetivo neste artigo, mostrando que, quanto mais tempo de poupança, menor será a vontade do poupador de assumir riscos, pois a perda de capital em uma fase mais avançada da vida implica e maior dificuldade para repô-lo. 

Então, caro leitor, se já é um poupador, que este artigo sirva para demonstrar que está no caminho certo mas, se ainda não o é, que ele sirva para despertá-lo para começar sua poupança ainda hoje. 

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