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Escrito por Ali Baba    23/02/2017 12:51:32

Empreendedorismo 101 - Sorte!


Já falei em outro artigo sobre O Poder de Começar, de se comprometer com algo e dar o primeiro passo. Já falei também sobre a importância de se conhecer seu mercado. Hoje vamos falar sobre um dos tabús do empreendedorismo: sorte.
O mundo dos vitoriosos é cheio de gênios e trabalhadores compulsivos, ou pelo menos é isso que os caras que chegaram lá dão a entender. Basta você fazer uma busca na internet com o nome do seu empreendedor ou investidor favorito e invariavelmente encontrará o alvo da sua admiração admoestando as futuras gerações sobre as virtudes do trabalho duro e dando sua receita de sucesso.
Não acredito que a maioria dê esses conselhos com malícia, na verdade eles acreditam piamente que tem uma receita de sucesso e quem se empenhar em segui-la irá colher os mesmos frutos. Funcionou para eles, não funcionou?
O que esses homens e mulheres de sucesso na sua grande maioria negam, é que há um fator sorte envolvido. Estão enganados.
Entenda que não há sorte sem que haja trabalho duro e outras virtudes em maior ou menor grau. São os alicerces do sucesso, mas não são nem de longe garantia de se atingir objetivos. Mesmo que você prefira contar somente com seu poder de trabalho, a Fortuna (com F maiúsculo!) tem que te sorrir em algum momento, senão já era.
Lembro da história de um advogado de sucesso no Vietnam. Quando a guerra estourou ele e sua família perderam tudo, se mudaram para o sul e tiveram que recomeçar do zero. Após uns anos de trabalho duro estava rico de novo, mas aí os EUA retiraram as tropas e ele usou as jóias da esposa para subornar um marinheiro americano e fugir com a família no porão de um navio rumo à América. Lá chegando um primo da sua esposa tinha uma padaria e deixou-os morar num quartinho dos fundos. Ele e a esposa trabalhavam mais de 14 horas/dia na pequena padaria e recebiam uma miséria. Como não tinha chuveiro no estabelecimento, eles tomavam banho de gato. Aos domingos esperavam um shopping center que ficava a algumas quadras abrir e tomavam banho lá, num vestiário de funcionários pouco vigiado. Durante cinco anos (!) não gastou um centavo, a não ser para comprar umas aspirinas para a enxaqueca da esposa. As roupas ganhava na igreja do bairro. E assim, juntou dinheiro para comprar a padaria do primo. Então ficou milionário construindo, comprando e operando padarias.
Aí o leitor pondera “esse turco tá brincando comigo! Esse vietnamita é mais pé-frio que uma perereca!”
É verdade, o cara não era um exemplo de boa sorte. No easy life pra ele. Mas presta atenção aos detalhes da história.
Sem trabalho duro e muita (muuuiiita) persistência, ele não teria chegado a lugar algum. Teria morrido no Vietnam do Norte ou iria ficar por lá, naquela miséria, cortesia dos benfeitores socialistas, esses homens e mulheres com a cabeça cheia de ideais elevados e grandões e o coração cheio de ódio por qualquer um que não comungue com suas idéias. Mas eu divago...
Voltando a história do nosso herói, prestem atenção aos detalhes. Ele tinha nascido numa boa família e tivera uma educação rara, era advogado de prestígio. Conseguiu escapar não uma, mas duas vezes com vida dos comunistas (aquela gente legal que gosta de matar os outros), feito admirável, já que a maioria dos seus compatriotas não teve tanta sorte. Também tinha um primo preguiçoso esperando por ele na América e achou um vestiário onde podia tomar banho escondido uma vez por semana. Para você, caro leitor, pode não parecer muito, mas Fortuna é uma amante sútil e por vezes cruel, seduzindo e escapando, até que se enamora de vez.
Há algumas técnicas para encantar essa que é a melhor das amantes, uma, como se pode perceber pela história (verdadeira) acima, é a persistência. Conheço outras, que passarei oportunamente, aprendidas à duras penas.
Sorte certamente é o fator mais inquietante do sucesso. Imponderável. Mas, acredite-me, sem sorte você não chega a lugar nenhum.
É difícil para alguém que ralou a vida a inteira e chegou no ápice da carreira ou aos píncaros do sucesso admitir para si mesmo e para outros que sorte foi um fator, se não decisivo, bastante importante. É inconcebível para muitos aceitar isso, mas é a mais pura verdade.
Veja bem, trabalho duro, método, análise, honestidade e outras virtudes vão tirá-lo da pobreza, mas não podem garantir sua riqueza.
Quando você escutar a história de alguém de sucesso, agora já sabe “tudo bem, o cara é bom pra caramba, mas também deu sorte”, e quando você atingir o sucesso, pratique um pouco de humildade e não arrote suas verdades como se fossem absolutas.
Espero que tenha gostado e continue a acompanhar a série de artigos.

Abraços,

Ali “Lucky” Baba

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