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Escrito por rfalci    22/02/2017 10:18:27

Cálculos renais: saibam como evitá-los


Colaborou Dr. Renato Falci Júnior, urologista do HC da Faculdade de Medicina da USP

Quem já teve ou já presenciou alguém tendo uma cólica renal sabe a intensidade dessa dor. Felizmente, o avanço tecnológico tornou o tratamento dessa doença muito menos agressivo e, atualmente, a grande maioria dos casos pode ser resolvida com cirurgia endoscópica, ou seja, sem corte. Além do tratamento ter se tornado mais eficiente e menos invasivo, hoje disponibilizamos de alguns testes que permitem, na maioria dos casos, achar o motivo da formação das pedras e, com isso, tentar evitar a sua recidiva.

Para contrariar o que se acreditava na década de 70 e início dos anos 80, restrição na dieta apenas beneficia menos de 1% dos formadores de cálculos. Portanto, alegrem-se: não será necessária nenhuma dieta para a grande maioria. 

A urina é uma solução supersaturada, que contém um solvente - a água -  e vários solutos. A quantidade de solutos é tão grande que eles necessitam de substâncias que facilitem sua dissolução pois, caso contrário, se precipitariam, à semelhança do que ocorre quando colocamos areia em um copo com água. Em um rim normal tudo isso é regulado de forma perfeita e não se precipita nenhum soluto e os cálculos não aparecem. Ocorre que algumas pessoas têm defeitos metabólicos na formação da urina que gera um desbalanço  entre as substâncias protetoras e os solutos, gerando cristais, que se aglomeram iniciando o processo de formação dos cálculos. Uma vez iniciado o cristal, fica difícil interromper o processo. 

Entendido isso, podemos deduzir a sequência do tratamento: a primeira fase é retirar todos os cálculos dos rins. Hoje isso é possível ser feito sem corte, por via endoscópica. O objetivo não é discutir técnica cirúrgica, mas deixar o claro o conceito que a primeira fase do tratamento é deixa-lo livre de cálculos, ou como o termo usado com frequência: "stone free". A segunda fase, muitas vezes deixada para o esquecimento, é a pesquisa metabólica. Ela consiste em exames de sangue, de urina e análise bioquímica do cálculo retirado, que permitem o diagnóstico da causa em até 70% dos casos. Nesses casos, é possível, com medidas simples e medicamentos com mínimos efeitos colaterais, evitar a recorrência dessa dolorosa doença. São medicamentos como diuréticos, inibidores da formação do ácido úrico, citrato entre outros. 

Como orientações gerais, quem já teve cálculos renais alguma vez na vida ou tem história na família, deve beber um pouco mais de água que as demais pessoas. O volume a ser ingerido deve ser suficiente para que urine aproximadamente dois litros por dia (leia artigo sobre ingesta hídrica nesta seção). Além desta simples atitude, muito se beneficiarão em diminuir a ingestão de sal pois o sal do alimento é eliminado na urina e, seu excesso, pode induzir a uma eliminação de cálcio e este forma pedras. Finalmente o citrato presente nas frutas cítricas, particularmente no limião siciliano é um grande protetor para a formação de cálculos, facilitando a dissolução de sais que normalmente se precipitariam.


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