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Escrito por rfalci    14/02/2017 22:24:21

Inflação? E eu com isso?


Quem nasceu em um país que já trocou de moeda várias vezes, cortou zeros dos preços, conheceu a hiperinflação e usou o broche de fiscal do Sarney pode se achar no paraíso com uma inflação anual de dois dígitos. Diferente do que a mídia fala ou do que a professora de história ensinou na escola, a inflação não é fruto da ganância do comerciante ou do empresário, pelo contrário, ela também os prejudica. 


A inflação é fruto do aumento de moeda circulante. E quem tem o monopólio da emissão de moeda é o governo. Não tente imitá-lo porque terminará atrás das grades. Portanto, o único responsável pela inflação é o governo e mais ninguém. O resto é retórica ideológica. O governo, que cresce sem limites (como um câncer com suas metástases) tem uma necessidade crescente de dinheiro. Para não quebrar, lança títulos públicos que terá que honrar. E fez-se o dinheiro! Existem outras formas que o governo usa para criar dinheiro novo como linhas de crédito com juros abaixo do mercado, mas o princípio é o mesmo.

Embora contrarie a “lógica” marxista e keynesiana, dinheiro não é sinônimo de riqueza. Suponhamos que eu tenha um chocolate e você, leitor, cinco reais. O preço máximo que poderei vender meu chocolate é cinco reais. Por cinco reais e um centavo, você não pode comprá-lo. De repente vem alguém e quer te deixar rico – imprime mais cinco reais e te dá ; portanto agora tem 10 reais. Percebendo que quer meu chocolate e que tem 10 reais, peço 10 reais por ele. Pronto,eis a inflação: primeiro a inflação monetária e na sequência a inflação de preço. Mas, a riqueza continuou a mesma: um chocolate. O primeiro a receber o dinheiro fica feliz, pois com mais dinheiro, geralmente tem acesso a preços ainda antigos, que não perceberam o aumento de moeda circulante. Como uma enchente que começa na cebeceira do rio, esse dinheiro novo vai se espalhando de forma não uniforme e esse processo se repete em cada microambiente e os preço vão subindo. É uma fileira de dominó que começou a tombar. O último da cadeia leva o maior prejuízo, pois encotrará o aumento do preço antes de por a mão no dinheiro. Estes, geralmente, são os assalariados no serviço público e o aposentado. Irônico e cruel ao mesmo tempo. Da inflação à hiperinflação, basta que se perca a credibilidade na moeda: pode ocorrer em dias ou até em horas. Não faltam exemplos no mundo: Venezuela, Chipre e a própria pátria amada, num passado não muito distante.

O investidor pode se achar protegido: IPCA, overnight, ações, blá, blá, blá. Vejamos... Investimento indexado e com juros: o imposto incide sobre o total do ganho, portanto, quanto mais alto o indexador, maior o imposto e menor o ganho real. As ações inicialmente tendem a acompanhar mas, a inflação afeta o coração das empresas, que consomem seu capital iludidas com um pseudo lucro. Como resultado, quando deflacionamos o valor das ações vemos o mercado no esgoto. Vide exemplo abaixo. O primeiro gráfico, do valor absoluto é lindo mas, a verdade está no segundo gráfico.





 Imóveis, de fato, no longo prazo tendem a manter seu valor. Mas lembre-se, na fase de instalação do processo, todos querem comprar e o preço dispara e,  na fase que quer liquidez o país está no desespero e não terá ninguém com dinheiro para comprá-lo. Portanto comprará na alta e provavelmente venderá na baixa. Sobra a moeda estrangeira cuja negociação virá caótica e clandestina, num dos últimos atos desesperados do governo para conter a evasão do capital. Finalmente o caos: planos econômicos, confisco, congelamento de preços, fiscal do Sarney, filas para saques nos bancos etc. Opa! Parece que já vimos esse filme. 

A mente diabólica dos defensores do estado conseguiu plantar a ideia de que um pouco de inflação é saudável. Claro, não existe coisa melhor para o governo: um imposto rentável, imperceptível para a maioria, cuja culpa facilmente é transferida para o  comerciante com um pouco de retórica.  Nada melhor que um povo ignorante. Mas a verdade está longe de ser agradável. A inflação é um imposto disfarçado e imoral, gerada pela imcompetência de um governo incapaz de ter uma mão menor que seu bolso, onde todos se prejudicam, principalmente o aposentado que está numa fase da vida em que não tem para onde correr. Escravidão humana.

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