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Escrito por fogo    13/02/2017 15:22:23

Carreira em Y


Como conhecemos uma empresa dos anos 50? Trata-se de uma corporação que possui uma hierarquia vertical de crescimento que prioriza o caminho gerencial, de liderança, controle de custos, e que valoriza as funções de chefia e supervisão. O problema deste foco tradicional é que ele acaba sacrificando pessoas que não possuem estas características específicas, porém contam com uma bagagem técnica diferenciada. Deste modo, três coisas acabavam acontecendo. Ou o profissional acabava estagnado na empresa, ou era demitido por não ter o perfil de liderança ou, pior, acabava assumindo uma função gerencial da qual não tinha o menor perfil, apenas por questões de tempo de casa. Por outro lado, a empresa acabava perdendo capacitação técnica por não priorizar o crescimento profissional destes funcionários, e ganhando um péssimo gestor.

Desta forma, nas últimas décadas vimos o aparecimento da chamada "carreira em Y". Este nome vem da bifurcação que a empresa passou a oferecer no crescimento profissional de seus empregados. Passou a existir, além da opção tradicional de crescimento gerencial da carreira, o crescimento técnico, com mesmos benefícios e equiparação salarial. Assim a empresa passaria a reter seus melhores talentos para atividades de consultoria, pesquisa e desenvolvimento, e não apenas em funções de chefia e gerenciamento de suas unidades.

Entretanto, se por um lado, ainda que esta valorização do corpo técnico tenha aberto outras possibilidades de crescimento, ainda se faz necessário uma análise cuidadosa para não cairmos na armadilha do "cientista que sobe na carreira".

Primeiro de tudo, assim como um cargo de liderança, assumir uma posição de destaque no corpo técnico e de consultoria de uma corporação não é para qualquer um. Há necessidade de grande capacitação técnica e conhecimento geral do mercado e específico dos processos e tecnologias de sua empresa. Além disso, apesar do que é divulgado, as opções de crescimento na área técnica são geralmente mais restritas, com algumas exceções em empresas de desenvolvimento de altas tecnologias, de energia, de tecnologia da informação, consultorias, universidades, laboratórios e hospitais de ponta. Desta forma, o gargalo para crescimento nesta estrada é bem mais apertado.

Outro ponto é que você vai sim lidar com prazos, com gerenciamento de pessoal e com orçamentos para desenvolvimento de projetos. Esqueça a falácia de um cargo no estilo google, com puffs, mesa de sinuca no escritório e horário flexível. Pesquisa e Desenvolvimento existe para um motivo único, trazer divisas e diferencial competitivo para a empresa que você trabalha, de forma que você será cobrado por resultados sim.

Por último, lembre-se novamente de que uma economia, e por consequência a sua empresa, vive em ciclos. Quando tudo anda bem e dinheiro sobra na companhia, há farta liberação de verbas para P&D. Porém é quando a maré seca que vemos quem está nu. Entenda que uma das primeiras áreas a sofrerem corte de orçamento e redução de pessoal é justamente a de Pesquisa e Desenvolvimento. A empresa vai, em primeiro lugar, buscar sobreviver e garantir suas margens, para depois voltar a pensar em desenvolvimento técnico. Ou seja, ao contrário do que parece, esta é uma posição pouco estável na empresa.

Assim, vemos que uma carreira em Y, apesar de oferecer uma possibilidade para que talentos permaneçam na empresa e sejam remunerados de forma equivalente a carreiras gerenciais, exige desafios, estudo, capacidade de gerenciamento, e não está livre de riscos, além de ser extremamente competitiva e desafiadora.

Se você atinge estas qualidades amigo, vá fundo!

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