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Escrito por thi    09/02/2017 21:25:17

Probabilidades e riscos


Sempre que avaliamos um leque de investimentos, damos pesos diferentes as possibilidades de sucesso de cada um desses investimentos escolhidos. Os pesos estão certamente relacionados com as probabilidades de sucesso do investimento em questão. Uma chance de 50% de ganhar 1 milhão é muito mais atraente do que a chance de ganhar 1% dessa mesma quantia.

Para apreciar a assimetria entre o efeito de probabilidade e o efeito de certeza desse investimento, imagine primeiro que você tenha a chance de 1% de ganhar 1 milhão. Você vai saber o resultado amanhã. Agora , imagine que você tem quase certeza que vai ganhar 1 milhão , mas há chance de 1% de que não ganhe. Mais uma vez você vai ficar sabendo do resultado no dia seguinte. A ansiedade da segunda situação parece ser mais intensa que a primeira devido ao peso que você deu ao evento altamente provável.

Eventos muito raros às vezes são completamente ignorados, determinando na prática como tendo peso zero de decisão. Entretanto quando um evento muito improvável torna-se o foco da nossa atenção, atribuímos a ele muito mais peso do que sua probabilidade merece. A probabilidade de você perder seu investimento comprando um apartamento na planta ou em construção é incomum, mas basta você se lembrar da ENCOL, para acreditar que é altamente provável.

Agora Imagine uma situação em que uma pessoa tem a  chance de 90% de ganhar muito dinheiro em um investimento . Essa situação  torna as pessoas  avessas ao risco, pois as pessoas são avessas ao risco na possibilidade de conquistar um grande ganho que eles contam com grande possibilidades. Elas estão até dispostas a aceitar menos do que o valor esperado de uma aposta para assegurar um ganho certo. É aquela situação que você compra um terreno por 500k, quer vender por 1,5M mas prefere vender por 1,4M a um comprador com bom histórico do que por 1,5 a um mal pagador.

Imagine agora uma situação em que uma pessoa tem 5% de chance de ganhar uma boa fortuna . Ela passa a aceitar o risco, pois quando o prêmio é muito grande, ela se torna indiferente ao fato de que sua chance de ganhar é minúscula. São os compradores de opções a seco OTM, conscientes que suas chances são ínfimas, mas que estão sempre a procurar o próximo bilhetão.

Tendo agora essa pessoa a chance de 5% de perder seu investimento , ela se torna avessa ao risco, são as pessoas que estão dispostas a pagar muito mais por segurança do que por valor esperado. São com essas pessoas que as companhias de seguros cobrem seus custos e obtém seus lucros. É aqui também que corretoras montam operações estruturadas, as famosas COEs, para vender como hedge a clientes com a promessa de proteção da carteira frente a um grande crash do mercado. Aqui, as pessoas compram mais do que proteção contra um desastre improvável, elas eliminam uma preocupação é adquirem paz de espírito. 

Quando essa pessoa enfrenta uma situação em que há 90% de chance dela perder o dinheiro investido, ela se submete a todo o tipo de risco e escolhas ruins para evitar essa perda . É aí que  pessoas enfrentam opções muito ruins e fazem apostas desesperadas , aceitando uma alta probabilidade de deixar as coisas piores em troca de uma pequena esperança de evitar uma grande perda. A tomada de risco desse tipo com frequência transforma fracassos administráveis em desastres. O pensamento de aceitar grande perda certa é dolorosa demais, e a esperança de completo alívio, atraente demais, para tomar a decisão sensata de que chegou a hora de diminuir os prejuízos. São os investimentos que fracassaram e não aceitamos, como aquela empresa que houve uma grande piora nos fundamentos, mas ao invés de abandonarmos o barco, dobramos a aposta. Quase nunca termina bem.


Thiago Barros.

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