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Escrito por thi    08/01/2017 19:56:26

A maior destruição econômica do Brasil desde Campos Sales.


por Henio Bezerra.

Fui despertado pelo tema por Felipe Miranda, quando escreveu uma tese denominada O Fim do Brasil, que virou livro de sucesso ainda em 2014. Mas não passou incólume por isso, foi alvo de perseguição do então governo e seus seguidores, porque as pessoas quando ouvem uma mensagem que não lhes convém, ao invés de procurar entendê-la, optam por atacar o mensageiro. Parece mais fácil. Porém, mais fácil é estar com a verdade.

No epílogo de O Fim do Brasil, concomitantemente com a inauguração de A Palavra do Estrategista, em 25 de Fevereiro de 2015, Felipe publicou: “o Governo Dilma I representa o terceiro pior crescimento econômico de toda a história republicana brasileira, à frente apenas dos governos Collor e Floriano Peixoto”.

Isso foi uma provocação suficiente para me jogar na busca aos números. Achei que havia um certo exagero, uma vez que Floriano Peixoto havia sido presidente do Brasil no final do séc. XIX, portanto há mais de 100 anos.

Será que teríamos tido um retrocesso tão grande?

A pesquisa
Uma das ferramentas do pesquisador do séc. XXI atende pelo nome de Google.Todos os dados são de domínio público e rapidamente qualquer pessoa pode encontrá-los pela internet.

As fontes (e links) estão disponibilizadas em planilha Excel anexa a esta publicação, bem como os dados e cálculos.

Na Wikipedia encontrei o PIB de 1962 até 2014, cuja fonte é o Banco Central do Brasil, e no site do IBGE encontrei o PIB de 1900 até 2000, bem como os dados demográficos para o cálculo do PIB per capita. Portanto, precisei combinar as duas em uma única tabela.

Os dados do PIB anteriores a 1900 só encontrei disponíveis em médias anuais de períodos maiores que 10 anos. Ficando, portanto, impossível separar entre os mandatos presidenciais de 4 anos. Por causa disso, a análise não conseguiu chegar a Floriano Peixoto, iniciando-se por Campos Sales, dois mandatos após nosso alvo inicial, e que tomou posse em 15 de novembro de 1898.

Poderia até ter retrocedido, mas deixaria os mandatos de Floriano, Prudente de Morais e metade de Campos Sales com os mesmos números médios anuais. Não fazia sentido.

Decidi deixar esse período de fora.

Os Tempos
Em fevereiro de 2015 a projeção para o PIB daquele ano era de 0,03% (positivo),mas quando iniciei essa pesquisa já estávamos no segundo semestre e osnúmeros para 2015 e 2016 já eram mais sombrios.

Desde então o estudo veio sendo atualizado, a medida que a história aconteceu.

Esperei chegarmos ao fim de 2016, quando já temos um número de PIB projetado bastante confiável. Qualquer variação será de (poucas) unidades de casas decimais e terá efeito desprezível (nulo) na variação da conclusão desse trabalho.

Em 2015 o PIB terminou em -3,8% e em 2016 temos uma projeção de -3,4%.

Ao final, considerei o mandato Dilma de forma contígua de 1º de janeiro de 2010 até 31 de agosto de 2016, quando deu-se a posse em definitivo do então Vice-Presidente.

A Metodologia
O critério para comparação dos PIBs de cada presidente, foi em busca de saber qual o crescimento médio anual durante cada mandato, desde Campos Sales.

Ou seja, calcula-se a variação média anual do PIB desde a posse até a saída.

Como o PIB que temos está em bases anuais, os PIBs nessas datas são estimativas proporcionais à variação do ano anterior ao ano seguinte.
Para a maioria das pessoas os detalhes matemáticos são desinteressantes. Por isso tentei descrever da forma mais simples possível, e não vou entrar em detalhes de como foram feito os cálculos. Quem quiser se aprofundar tem a planilha excel juntada a esta publicação.

Acredito que adotei a melhor metodologia ao problema que me propus. Porém, aceito críticas construtivas, se pudermos chegar a um critério melhor.

Uma possível fragilidade que posso apontar é que o crescimento que ocorre no(s)primeiro(s) ano(s) de um mandato é, seguramente, em grande parte consequência do que foi feito no(s) ano(s) anterior(es). É como um trem que viaja em velocidade, mas troca de maquinista durante a viagem. A velocidade inicial do trem com o novo maquinista é igual à do seu antecessor no final. Às vezes os economistas tomam emprestado exemplos da física para explicar os fenômenos da economia.

Porém não sabemos precisar quanto tempo antes é essa influência do antecessor,ou com que força. Para mandatos curtos, como foram os de Delfim Moreira e Jânio Quadros certamente esse erro é significativamente alto. Mas não creio que seja ocaso da maioria.

Uma alternativa a esse problema seria deslocar todos os mandatos m meses à frente no tempo, para efetuar o cálculo do crescimento, como medida compensadora. Quanto? Não sei. Por isso, preferi deixar como está. Acima de tudo temos que ter um critério que seja defensável, na falta de melhores alternativas.Creio que é suficiente para essa proposta. Mais à frente você entenderá o porquê.

Os Resultados
Os números mostraram que Dilma apresentou um crescimento médio anual de 0,4%, durante seu mandato. O segundo menor da história desde Campos Sales,perdendo apenas para o governo Collor que cresceu -1,1% (ou decresceu 1,1%)na sua média anual.

Entretanto, se reunirmos os governos Collor e Itamar como um único período esse crescimento médio sobe para 1,6% (positivo). Não seria inconsistente essa reunião pelos motivos inerciais, expostos pela metáfora do trem. Certamente o desastre econômico que o Brasil viveu até meados dos anos 90, com hiperinflação e baixo crescimento, foi fecundado lá nos governos de Geisel e Figueiredo.

Além disso, um terror de dois anos é menos ruim do que um sem fim, de (quase)seis.

Então, a reunião dos mandatos de Color e Itamar coloca o governo Dilma no patamar de pior governo da história, do ponto de vista do crescimento econômico,desde Campos Sales.

Ainda que deslocássemos o tempos dos mandatos m meses à frente, posse e saída, como uma suposta correção à falha da metodologia adotada, a sua situação pioraria.
Isso implicaria em retirar os anos de forte crescimento do cálculo, e acrescentar mais do período negativo, uma vez que, para o cálculo, o seu mandato terminou em 31 de agosto de 2016, um ano de forte recessão.

Então, acrescentaria-se mais tempo de anos ruins – até 2017, por exemplo, que ainda promete baixo crescimento – em troca de retirar mais tempo do seu valioso primeiro ano de mandato.

Seguramente esses dois últimos anos (2015 e 2016), extremamente negativos,são consequência das barbeiragens da política econômica praticadas durante o seu mandato, ou até mesmo iniciados no período final de seu antecessor. Inclusive o comando da economia estava sob a batuta do mesmo czar. O pior ministro da economia de nossa história também foi o mais longevo. Tempos estranhos.

A crise de 2008, que atingiu seu auge em 15 de setembro com a quebra do Lehman Brothers, causou uma recessão mundial em 2009, jogando o crescimento do nosso PIB para -0,2% naquele ano. O ano seguinte (2010), teve um crescimento de 7,6%.

Quando você tem um resultado muito ruim em relação ao que era, é mais provável que o resultado seguinte venha acima, para compensar. É o chamado retorno à média.

2010 representa um retorno à média (quando reunido com 2009), mas não por competência da presidente. Porém, está contido no cálculo que resulta no crescimento médio anual de 0,4% em quase seis anos.

Há, ainda, um outro fato relevante. Houve uma redução do PIB per capita durante o período Dilma.
Somente três vezes isso ocorreu na série em análise: nos governos Color, apenas quando visto isoladamente de Itamar, Venceslau Brás (1918) e Afonso Pena(1909).

A redução do PIB per capita ocorre, basicamente, quando o ritmo de crescimento populacional segue numa velocidade maior que a velocidade de crescimento do PIB.

Isso também é um indicador de empobrecimento da população e consequente aumento da concentração de renda. Em termos práticos, mais pessoas perderam o emprego, ou os novos entrantes não conseguiram se empregar.

Não posso deixar de mencionar que o maior crescimento médio da série ocorreu justamente durante o governo de Médici, em plena ditadura. Não menciono o fato com regozijo, mas somente por honestidade à pesquisa, uma vez que não sou a favor de soluções não democráticas. Além do mais, o mesmo regime que produziu o maior crescimento médio anual, também nos entregou a semente da estagflação no final, para ficarmos somente com os argumentos econômicos.

Portanto sua menção é apenas por honestidade intelectual. Além do que um“esquecimento” poderia servir como argumento aos partidários dessas ideias.

E daí?

E daí que no final das contas o resultado é muito ruim. No final parece-me uma grande ironia (ou desonestidade) que um governo de esquerda, que em tese busca e propõe diminuir a concentração de renda, acabe por aumentá-la.

Também expõe o despreparo daqueles que foram responsáveis por fazer isso acontecer. A continuação da política econômica chamada por “nova matriz econômica”, um conjunto de ideias ruins e insustentáveis, certamente nos levaria à mesma hiperinflação que foi fecundada no final do período ditatorial.

O grande dilema é que a maioria das pessoas, os eleitores, de uma maneira geral,por vezes, não conseguem alcançar essa dimensão. 

https://www.oceans14.com.br/arquivos/artigos/PIB116ANOS.xlsx

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