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Escrito por Malandro    06/02/2017 16:37:34

A alta alavancagem das empresas pode emperrar o crescimento econômico?


De vez em quando leio alguns relatórios macro dos bancões brasileiros, dentre eles gosto da área de research do Itau BBA  alguns temas legais lançados pelo research do Santander, muito de vez em quando o Bradesco tem algo interessante e o Banco do Brasil descarto.

Um bom research do Santander foi escrito semana passada (o mesmo banco daquela analista que foi demitida em julho de 2014, prevendo o caos se Dilma fosse reeleita) levantando uma questão interessante. Espera-se, com a queda projetada SELIC pra 1 digito no fim de 2017, um impacto muito positivo dos investimentos e consumo, contribuindo para decolagem do PIB. Está é a expectativa vigente. Alguns outros, acham que essa queda da SELIC pode não ser tão determinante para dar um impulso da economia, a principal questão levantada é a alavancagem atual das empresas.

Enquanto o Banco Central deu sinais em janeiro que irá acelerar a queda da taxa de referencia SELIC, espera-se que esse boosting da política monetária seja refletida nos canais bancários com aumento da oferta de crédito, seja para empresas, seja para público comum, mas em especial as empresas estão com outro problema para sanar, antes de pisar no acelerador dos investimentos.

A alavancagem das empresas, medida por dívida liquida/EBITDA esta em níveis altíssimos, mesmo desconsiderando a mother of debts.




Possivelmente limitando e enfraquecendo a expansão do mercado de crédito e consequentemente a recuperação econômica pela via monetária.

O (otimista) analista do relatório lista alguns argumentos , dizendo que durante as crises é normal o aumento de alavancagem das empresas, devido a forte ciclicidade das receitas das empresas; que a SELIC tem um forte impacto no serviço total da divida, com sua queda, haverá um bom alivio para saúde financeira das empresas, entre outros argumentos.

O principal intuito desse artigo não é ser pessimista, apresentar argumentos contra ou concordar com o exposto pelo relatório, mas sim tentar vislumbrar o potencial gargalo desse novo ciclo de crescimento da economia, onde em todo o processo de gerar riqueza para o país, a máquina irá emperrar novamente.

Algum leitor pode pensar: "Mas caramba, o Brasil nem cresceu e você já quer listar o que pode dar errado quando crescer?" Pois é, o tempo do mercado é diferente assim, o PIB de 2017 já é favas contadas para o mercado, basta monitorar agora o que pode dar errado. Espero que não, mas o nível de divida das empresas pode ser um candidato.

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