1. Home
  2. Artigos
  3. Ações
  4. Primeiros passos em Opções - Gregas

Escrito por Struggle    05/02/2017 23:20:04

Primeiros passos em Opções - Gregas


Frequentando páginas da internet que tratam de mercado ou lendo textos referentes à bolsa de valores, você já deve ter se deparado com alguns termos intimidatórios. São termos usados frequentemente, e que muitas vezes não compreendemos, mas para não pagarmos o mico de ignorantes não perguntamos o seu significado, deixando implícito que se trata de algo corriqueiro.

Processo estocástico é um termo bem eloquente e elegante. E o seu significado é muito mais amplo do que imaginamos. Num ambiente com poucas variáveis é relativamente fácil prever resultados de acontecimentos ou valores. Agora, num ambiente complexo e caótico, com inúmeras variáveis influindo no processo, o número de possibilidades de resultados aumenta consideravelmente. Processo estocástico trata de um grupo de variáveis aleatórias que expressam a evolução de um determinado sistema de valores no decorrer do tempo.

Como exemplos destas variáveis aleatórias, podemos mencionar a variação dos valores no mercado de ações, a variações dos derivativos dos ativos negociados em mercado de capitais, taxas de câmbio, variações de dados médicos como oscilação da temperatura corpórea, da pressão arterial e de potenciais elétricos do cérebro registrados em um eletroencefalograma, além de variações de dados físicos como variações do campo magnético de planetas. 

Mas como isso teria relação com as nossas famigeradas opções? Como as opções são derivativos de ativos, a sua precificação constitui um processo estocástico. Alguns estudiosos conseguiram estabelecer parâmetros que nos auxiliam a precificar valores das opções, considerando o princípio básico de que as oscilações dos valores dos ativos seriam fundamentais para a determinação dos valores destes derivativos. Fischer Black e Myron Scholes elaboraram um modelo matemático em 1973, e publicaram o artigo “The Pricing of Options and Corporate Liabilities” no periódico The Jounal of Political Economy, aonde estabeleceram um modelo matemático para o cálculo do valor de uma opção de compra europeia através do valor do ativo correspondente à opção em questão.

Robert C. Merton foi um autor que publicou um outro estudo, expandindo a compreensão matemática deste modelo de precificações de opções e cunhou o termo como modelo de precificação de opções de “Black-Scholes”. Morton e Scholes receberam o Prêmio Nobel na área de Ciências Econômicas em 1997 por este trabalho. Ainda que inelegível para o prêmio pela sua morte em 1995, Black foi mencionado pela academia sueca por ter contribuído significativamente para este estudo.

Quer dizer que com este modelo é possível prever o valor de uma opção? Não! Em se tratando de economia, esqueça a palavra previsão. É possível estimar. Se o valor estimado será o mesmo do valor real, cabe ao soberano mercado definir.

Dentro do modelo de Black e Scholes, existem alguns parâmetros fundamentais que são utilizados para a determinação dos valores das opções, entre os quais, temos:
  1.  mudança do preço do ativo subjacente;
  2. mudança da taxa de juros;
  3. mudança da volatilidade do ativo subjacente;
  4. mudança no tempo.
Dentro destes parâmetros é que são estabelecidas as chamadas Gregas do modelo Black e Scholes. Faremos uma apresentação bem direta destas variáveis abaixo:

Delta (δ)
Delta mede a variação no preço da opção para cada 1 real de oscilação do preço do ativo. Por exemplo, quando VALE5 subir 1 real, a opção de compra (call) VALEB4 - com um delta de 6% (ou 0,06) – subirá apenas 6 centavos. Opções com valores pré-estabelecidos de vencimento (strikes) menores que o valor do ativo (opções dentro do dinheiro ou ITM – in the money) o delta tende a 1, com a valorização do ativo acompanhando aproximadamente a valorização do ativo, enquanto que opções com strikes com valores maiores que o valor do ativo (fora do dinheiro ou OTM – out of the money) vão perdendo delta à medida que se distanciam do valor do ativo.

Gamma (γ)
É a taxa de variação do Delta. Ou seja, o quanto o Delta varia para cada variação de 1 real do preço do ativo. Por exemplo: Gamma de 5% (ou 0,05) significa que o Delta terá uma variação de 5 pontos percentuais se o ativo variar 1 real.
É nas opções com strikes próximos dos valores dos ativos subjacentes (opções no dinheiro ou ATM – at the money) que encontramos os maiores valores de Gamma, e esta variável vai diminuindo à medida em que se distancia do valor do ativo, seja para um strike menor (ITM) ou maior (OTM) que o valor do ativo.

Theta (θ)
Uma das características das opções, é que elas tem data definida para acabar (data de vencimento). À medida que o tempo passa, a expectativa é que venham a perder expectativa e a se encontrar com a realidade, ou seja, o valor de mercado.
E de uma maneira geral, o Theta seria a taxa do prêmio pago pelo mercado, e a tendência é de que com o passar dos dias, este prêmio caia, vindo a próximo de zero no dia do vencimento.

Vega (ν)
O Vega mede a mudança dos valores do prêmio das opções em relação à volatilidade do ativo subjacente. Em um mercado com maior volatilidade, normalmente encontramos maiores prêmios nas opções dos ativos correspondentes.

Rho (ρ)
Mede o efeito das variações das taxas de juros nos preços das opções. Pouco usado na prática, pela sua menor importância e influência.

De uma maneira prática, o domínio das gregas Delta, Gamma e Theta nos proporcionam grandes possibilidades para a execução das principais operações com opções. Nos próximos artigos descreveremos estas operações com alguns exemplos práticos para um melhor entendimento. Precisamos entender as gregas para que possamos falar em opções, sem parecer que estamos a falar em grego!



Gostou do texto? Cadastre-se no site e começe a seguir o usuário Struggle. Sempre que ele postar um novo artigo, você será notificado.

Para ler outros textos do usuário Struggle, clique aqui.



Comentários


Ainda não existem comentários para este artigo.