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Escrito por Ali Baba    08/01/2017 18:27:20

Uma ilha no umbigo do mundo


Oceano azul turquesa, uma brisa agradável que sopra o ano todo, povo hospitaleiro e simpático, boa comida, cultura que vai há mais de 7000 anos, cassinos, bares, cafés e restaurantes. Tudo isso e ainda uma natureza bela, geografia exótica, com excelentes spots de mergulho e abundância de oferta de barcos para quem quiser velejar ou passear de lancha. Até o Apóstolo Paulo e Ulisses (aquele da Odisséia) passaram por aqui. 


Vista de Saint Julians - Malta

Localizada ao sul da Itália (consigo ver o Vesúvio da minha varanda quando a visibilidade esta boa), esse pequeno arquipélago independente, composto das ilhas de Malta, Comino e Gozo (pois é... também gostei do nome) tem uma população de cerca de 400.000 habitantes e mais de um milhão de turistas a visita todos os anos, na maioria europeus, principalmente ingleses.  Faz parte da União Europeia, e a moeda é o euro. Brasileiros não precisam de visto para turismo por até 90 dias.

Chegar a ilha é fácil, mas nós brasileiros temos de fazer uma conexão em alguma grande capital europeia. Já vim pra cá via Madrid, Paris, Roma, Amsterdã e Londres. Há mais opções. Os vôos dessas cidades ficam entre uma e duas horas meia e, se comprar com alguma antecedência paga uns 120 euros (ida e volta), menos até, se for pela Rianair. Os aluguéis aqui são relativamente baratos. Um apartamento que acomoda 4 pessoas confortavelmente, com internet, ar condicionado, etc, vai sair uns 100 euros/noite na alta temporada, uns 70 euros na baixa. Se for ficar um mês todo consegue alugar por uns 1500 euros. E estou falando de Sliema ou Saint Julians, que são mais badalados. Pode conseguir algo bom e mais barato se quiser ficar em um lugar mais afastado ou procure sossego. Também tem uma boa oferta de hotéis 5 estrelas, hotéis boutique e acomodações de alto luxo que vão até o aluguel de palácios construídos pelos Cavaleiros Hospitaleiros, desde que você esteja disposto a desembolsar de 900 a 8000 euros por semana, dependendo do palácio, quem construiu (quanto mais proeminente, mais caro) e amenidades que esteja procurando.

A história da ilha começa há 7000 anos atrás com um povo anterior aos fenícios e que desapareceu misteriosamente, mas deixou sua marca nos templos e construções megalíticas que vemos por todo o arquipélago. Com a chegada dos fenícios, a ilha virou entreposto comercial e se instalaram as primeiras fabricas de vidro (pode-se comprar belíssimos vidros e cristais na ilha, feitos da mesma maneira que os fenícios ensinaram há milhares de anos). Desde então foi colônia de romanos, árabes, normandos e ingleses. Pode-se ver claramente as marcas que cada um desses povos deixou na ilha e seus habitantes.


Praça em Mdina - Malta

Talvez devido a essa história riquíssima e complexa, Malta tenha algo para todo mundo. Quer dizer, quase todo mundo. Se o seu conceito de férias perfeita são os shoppings de Orlando e passar seus dias na Disney, então é melhor parar de ler, mas, antes de me acusarem de elitista, arrogante, etc, deixo claro que também gosto da Florida, mas consigo apreciar outros sabores que o mundo proporciona.

Primeiro vou enumerar o que você não vai encontrar aqui. Depois entraremos na parte boa:

  • Não é a Meca das compras. Não espere encontrar uma filial maltesa do Sawgrass. Há entretanto shoppings menores e as lojas das grifes de sempre. Minha esposa já comprou roupa aqui por preços muito bons, mas não é o forte da ilha. 
  • Não é bom para dirigir. Diferentemente da Alemanha, Estados Unidos, Holanda e até África do Sul, se você gosta de pegar um carrão e cair na estrada, vai ficar desapontado. A ilha é pequena. Dá para dirigir, é claro, e tem muito a se visitar, mas a experiência de dirigir em si, não é o forte do passeio. Você pode pegar seu carango, ir de ferry até a Sicília e em duas horas estará pilotando na Itália, se fizer questão. As cidades da ilha tem as ruas estreitas e ainda vale lembrar que aqui é mão inglesa...
  • Não é rica em teatros como Londres ou Paris. Isso não quer dizer que não haja vida cultural no país, muito pelo contrário. Eles têm uma excelente filarmônica e fazem parte do circuito europeu da temporada de óperas. A primeira vez que vi Madame Butterfly foi aqui, num ótimo teatro na Ilha de Gozo.
"Não dá pra comprar, não dá pra dirigir e não dá pra ir ao teatro. Então que raios tem aí nesse lugar?" Muita coisa:

  • Um clima fantástico (a menos que você seja burro o suficiente para vir no pico do inverno como eu fiz agora, embora ateste de primeira mão que nas minhas viagens anteriores sempre estava uma maravilha);
  • As águas mais limpas do mediterrâneo. Pense num negócio azulzinho!
  • Alguns dos sítios arqueológicos mais inusitados do mundo, como uma cidade construída por gigantes (dizem que o ultimo foi Polifemo, cegado por Ulisses) e um templo subterrâneo de 7000 anos cercado de lendas;
  • Excelentes restaurantes 15 a 30% mais baratos que os equivalentes do continente europeu, além da disponibilidade dos excelentes e raros vinhos malteses (opinião de amigos. Eu não bebo);
  • Excelentes oportunidades de investimento, mas falarei detidamente sobre isso em outra postagem;
  • Escolas de inglês para estrangeiros fazerem intercambio tão boas quanto, porém mais baratas que as americanas, inglesas e canadenses. Encontrei essas duas lindas mineiras (abaixo) num café em Sliema e elas atestaram a qualidade e a vantagem financeira de se fazer o curso em Malta. Com o dinheiro que economizaram pretendem visitar Barcelona e Pompeia nos fins-de-semana seguintes;


  • Opções de hospedagem para todos os gostos e bolsos;
  • Possibilidade de fazer day trips ou short trips a preços bem convidativos não apenas para inúmeros destinos europeus, como também para Turquia, Argélia, Egito, Tunísia e Marrocos;
  • Uma cultura única e peculiar, de um povo orgulhoso e cheio de alma;
  • Belíssima arquitetura;
  • Geografia única. Ótima para hiking, e esportes aquáticos;
  • Excelentes hospitais a uma fração dos preços brasileiros;
  • Ótima localização para se aposentar. Esta na minha lista;
  • Se você é mais jovem e nem pensa em se aposentar, há inúmeras festas e as mulheres são lindas.
Sei que sou suspeito porque me apaixonei pela ilha em 2012 e continuo voltando sempre que posso, mas o fato é que seja você um cara mais taciturno que goste de ler e escrever sozinho em um café, ou o extremo oposto, Malta tem um lugar com seu nome reservado.
Não é um destino comum para brasileiros, mas aqui nesse site não escrevemos para pessoas comuns. Na próxima vez que pensar em viagem, pense com carinho nesse arquipélago no umbigo do mundo.

Até a próxima viagem,

Ali Baba



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