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Escrito por Struggle    02/02/2017 09:51:50

Primeiros passos em opções


Para iniciarmos o estudo em opções, vamos primeiramente conceituar o que é um ativo e o que é um derivativo. Podemos definir como ativo aquele preço atribuído a um determinado patrimônio, seja ele tangível ou não. Derivativos são contratos estabelecidos cujos valores são na sua maior parte derivados de um ativo subjacente. Simples, não? Sim, é simples.

Os derivativos podem ser classificados em contratos a termo, contratos futuros, operações de swaps, opções de compra e venda entre muitos outros, sendo que a maiores destes derivativos são negociados em bolsa. São ferramentas muito importantes, negociados em mercados organizados, com a finalidade de proporcionar oportunidades que viabilizem a transferência de riscos inerentes às flutuações dos valores dos ativos.

Um exemplo bem simples: você tem uma carteira de ações e deseja preservar o valor deste patrimônio frente a uma futura queda. Você pode negociar contratos de venda de índice, por exemplo (o quanto você pode vender é algo proporcional ao patrimônio, e isto tudo é regulado pela bolsa de valores, com regras pré-estabelecidas). Com uma queda do índice, os contratos perderão valor e na data em que expirar, recompra-se o que se vendeu (contratos de índice) com um valor menor, e o que ficou remanescente no seu saldo, servirá para amortizar a perda de valor dos seus ativos em carteira. Essa operação (hedge de ativos) é mais barata do que vender seus ativos (o que implica em corretagens, taxas e imposto de renda sobre ganho de capital - não se esqueça que o hedge também gera tributos no caso de ganho). Obviamente, se o mercado subir, a venda de contratos de índice resultarão em prejuízo. Mas este será equilibrado pela valorização dos seus ativos.

Bom, e como ficam as opções?

No mercado de opções, negocia-se o direito de comprar ou de vender um ativo por um preço estabelecido em uma data futura (preço de exercício). Quem adquirir o direito deve pagar um prêmio ao vendedor. Este prêmio não é o valor do ativo, mas apenas um preço pago para ter a opção ou direito de comprar ou vender o suposto ativo em uma data futura pelo valor previamente estabelecido. Podíamos chamar como um mercado de direitos, se o nome mercado de opções for inconveniente ou intimidatório, o que acham?

Ainda complicado? Então vamos a um exemplo prático. Temos o ativo VALE5, ok? E vamos tomar um exemplo de venda de uma opção de compra (call). O ativo VALE5 é negociado em bolsa e seu valor oscila a cada dia. Hoje especificamente está cotado a R$31,39(coitado do Abelardo!), e o mercado ainda não abriu. O mercado de opções são negociados em séries, de acordo com a data de vencimento. O vencimento da opção será sempre na terceira segunda-feira de cada mês (ou no dia útil seguinte, no caso de feriados). Cada mês recebe uma letra, para designar a série correspondente, com opção de compra (call) começando com a letra A em Janeiro e opção de venda (put) começando com a letra M. Vamos negociar uma opção de compra (call) da série B, com vencimento (data pré-estabelecida) para a conclusão do contrato em 20 de fevereiro de 2017. Vamos vender uma call chamada VALEB4, ok? Para esta operação é necessário que você tenha garantias, pois você está vendendo o direito de entregar uma ação VALE5 em 20 de fevereiro de 2017 a R$34,98 (valor pré-estabelecido). Se você não tiver esta ação, você terá que arranjar uma. E se o mercado disparar, para tristeza sua e ainda maior do Abelardo, você terá que comprar o ativo para entregá-lo na data do vencimento. Percebeu que pode ser uma operação com prejuízo ilimitado se for feita sem a cobertura do ativo (venda descoberta)?

Muito bem. A venda de uma VALEB4 geraria um prêmio de R$0,38 para o vendedor da call. Esse prêmio é negociado em bolsa e varia constantemente, conforme uma série de variáveis, estando entre elas, o valor do ativo (que aqui é inferior ao valor do vencimento), a volatilidade do preço do ativo e o tempo que temos até o vencimento.

Se você vendeu VALEB4 e no dia 20 de fevereiro de 2017 e VALE5 ficar com o valor inferior a R$34,98, não há razão para esta opção ter valor. Então ela deixa de ter valor (vira pó, no jargão do mercado). E você fica com o prêmio de 38 centavos para você, sem que o direito do comprador seja exercido - para que pagar R$34,98 se podemos comprar por um valor menor no mercado? Se o valor de VALE5 estiver maior que R$34,98,  o comprador da sua opção terá o direito de exercer o direito de comprar a sua VALE5 por R$34,98, mesmo se o ativo estiver valendo R$53,89, sem choro nem vela. Você pode a qualquer momento (até o último dia útil antes do vencimento) fechar a operação, recomprando esta opção, não sendo necessário levá-la até o vencimento. E na verdade, isso acontece frequentemente, como veremos.

Você pode comprar uma call, e isto significativa ter o direito de comprar o ativo naquele preço combinado.

Já a opção de venda (put), você negocia o direito de vender o ativo naquele preço estabelecido. O raciocínio fica ao contrário e vamos desenvolver isto nas próximas operações.

O mercado de opções no Brasil é relativamente novo. E até há pouco tempo atrás, não tínhamos liquidez suficiente para a negociação de opções de venda (puts), predominando apenas opções de compra (calls). E também só tínhamos liquidez significativa nas opções relacionadas aos ativos VALE5 ePETR4. As opções de compra de PETR4 já foram as opções de maior liquidez do planeta, para se ter uma ideia deste mercado. Hoje em dia, a liquidez de outras opções aumentou, com vários ativos gerando suas opções correlatas, e com opções de venda ganhando liquidez satisfatória. A tendência,com o crescimento e amadurecimento deste mercado de derivativos, é que tenhamos cada vez mais... opções!



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