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Escrito por Malandro    08/01/2017 09:56:05

Ibovespa - Fluxo de investidores


Existem, atualmente, 3 grupos de participantes dominantes no mercado acionário brasileiro: Estrangeiros, com participação no volume transacionado de 50%. Institucionais, com participação de 26%. Pessoas Físicas (PFs), com participação no volume de 17%.

Podemos dividir a história moderna da bolsa de valores em 2 partes, antes e depois de 1991, ano em que o Banco Central passou a permitir investimentos de estrangeiros institucionais diretamente em bolsa brasileira. Na primeira parte, o mercado de renda variável era dominado por PFs, em torno de 40% do volume transacionado, seguido de institucionais, 20% e financeiras por 15%. Na segunda parte, com a entrada de capital estrangeiro no mercado, PFs foram perdendo participação acentuada para os estrangeiros, em pouco tempo já alcançariam 25% do volume total operado.

Passada a introdução chata, vamos ao que interessa, analise do fluxo de investidores ao longo de 22 anos de dados mensais, englobando 5 recessões e quase todo o período do Real.

No mercado de ações é muito difícil estabelecer verdades absolutas e mantras, por isso fico com uma variação da famosa frase, que dizem ser do Mark Twain, History does not repeat itself, but sometimes it rhymes. 


Gráfico 1: Fluxo acumulado de investidores estrangeiros, normalizado pelo índice Ibovespa (Fonte: Bovespa).

Ao longo do tempo, a correlação fluxo estrangeiro pelo Índice Ibovespa chegou a níveis acima de 90% na segunda metade da década de 90, hoje reside em 70%. 

Percebe-se que o fluxo estrangeiro tem uma tendência a antecipar, em alguns meses, recessões e consequentemente iniciar o Bear Market em bolsa e entrar com fluxo do meio para o fim do período recessivo. (O último período recessivo não é o caso, é justamente o contrário, talvez se deva ao trabalho de monumental liquidez dos principais Bancos Centrais mundiais).

Considero esse grupo um ótimo (não perfeito) precificador de risco de exposição ao mercado acionário, se pudéssemos quantificar o risco (algumas casas de research tentam, indicadores de Risk-On, Risk-Off), a inflexão do risco de mercado não seria no começo da recessão, mas sim na perda de momentum da expansão do ciclo econômico, assim como a inflexão de topo do risco não seria no fim da recessão, mas no ganho de momentum do novo ciclo. 


Gráfico 2: Fluxo acumulado de investidores pessoas físicas,normalizado pelo índice Ibovespa (Fonte: Bovespa).


A correlação fluxo pelo Índice Ibovespa chegou a níveis abaixo de incríveis -95% na segunda metade da década de 90, hoje reside em -85%.

A tendência geral desse grupo de investidores é de venda (saída), no topo de mercado ou no fundo, do estoque formado nas décadas de 70/80/90, mas tem certos períodos ótimos de analisar.

No estágio final do ciclo econômico, onde a perda do momentum é latente, portanto o risco do mercado não está a valores mínimos anteriores, mas ainda num ciclo expansivo, há uma forte entrada de fluxo desses participantes, maioria novos desse grupo.

A subida do mercado reportados na fase mais aguda do ciclo está na memória desse investidor que ainda pode ter bons ganhos, não é difícil que ocorra, mas normalmente entra na fase em que “This Bull is Tired”.

Então, esse grupo é um ótimo (não perfeito) indicador de sentimento, analisando tamanho de ciclo atual, tempo de entrada, montante de recursos desse grupo, pode-se considerar, em conjunto com outras ferramentas e indicadores que o risco de exposição ao mercado acionário passou e muito da inflexão mínima.

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