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Escrito por rfalci    19/01/2017 23:42:35

Viagem & Fotografia: que tipo de máquina escolher?


A maioria das pessoas, ao arrumar as malas para viajar, deixa um espaço reservado para uma máquinafotográfica.  Alguns, no entanto, jáacham isso ultrapassado e resumem a documentação de sua viagem ao celular. Defato, a tecnologia evoluiu rápido e as câmeras de celular chegaram a um nívelde qualidade que poderíamos mudar seu nome de celular com câmera fotográfica paracâmera fotográfica que telefona. Mas fica uma pergunta: E aquelas pessoas quecarregam equipamentos fotográficos pesados e caros – seriam um grupo deconservadores saudosistas? Neste artigo vamos esclarecer alguns aspectos dafotografia amadora que devem ajudar o leitor a escolher melhor seu equipamentopara sua viagem.

O fator mais importante na seleção do equipamento paraviagem é o interesse do leitor viajante em fotografia. Ninguém convencerá umindivíduo que não gosta de fotografia a carregar mais de dois quilos demáquinas e lentes, que podem custar um bom valor. Mas,  quem chegou até estesegundo parágrafo, provavelmente já tem algum interesse em fotografia, pelo menos maior que amédia das pessoas. Segundo fator importante, é o orçamento disponível paraequipamento fotográfico e finalmente o terceiro é o tipo de viagem a ser feita.Vamos aprofundar  um pouco mais essesaspectos abaixo:

Comecemos por um princípio de física óptica que diz que oraio de luz que incide perpendicularmente sobre uma lente não sofre refração.Lembrado esse conceito, fica fácil explicar as diferenças entre as câmeras. Oleitor que tem astigmatismo vive este princípio diariamente. Ao sair à luz dosol forte, onde sua pupila está bem fechada, enxerga muito melhor que napenumbra, quando a pupila está aberta. Isso ocorre porque a maioria dosaberrações estão na periferia da córnea e não na zona central, onde a luz nãosofre refração. Traduzindo esse fato para o olho mecânico (a máquinafotográfica) veremos que em plena luz, um celular moderno, uma máquina tipo point and shot e uma DSLR (digital single lens reflex) farãofotografias muito boas e que, apenas olhos experientes, poderão diferenciá-las.Mas, é na situação adversa que sabemos quem é realmente bom e, se levarmosessas mesmas três máquinas para fotografar um por do sol ou ainda uma foto noturnaveremos que apenas a DSLR terá alguma chance.

Portanto, com o que foi explicado até o presente, já podemosresponder: o que diferencia as câmeras fotográficas digitais além do preço e dopeso? O tamanho e qualidade das lentes e o tamanho e qualidade do sensor quecapta a imagem (figura 1). 


Figura 1: Comparação dos diferentes tipos e tamanhos de sensores de máquinas digitais. Fonte: google imagens.


Câmeras com sensores menores e lentes menores são mais leves, mais baratas e tiram fotos com qualidade pior. Sabendo isso, ficafácil decidir a câmera a ser levada na viagem. A sequência de qualidade, preço e peso pode ser resumidaassim em ordem crescente: câmera de celular, câmeras tipo point and shot, DSLR sensor APS-C oucrop, DSLR com sensor full frame. Câmeras full frame exigem lentes mais claras,com maior abertura e nitidez que, por sua vez, são um desafio tecnológico e,portanto, pesam mais e custam mais. Vejamos alguns exemplos de fotografias, lembrando que sensores melhores exigem lentes melhores, para que se aproveite sua qualidade.



Figura 2: fotografia feita com uma câmera do tipo point and shot, 50mm, f/4, 1/20seg, ISO 640. Fonte: arquivo pessoal



Figura 3: Fotografia feita com máquina DSLR sensor APS-C f/4.5 1/15 seg ISO 800. Note a nitidez dos detalhes mais na periferia da fotografia e o destaque dado ao plano anterior, com uma profundidade de foco menor. Fonte: arquivo pessoal



Figura 4: Fotografia feita com máquina DSLR full frame f/4, 1/50seg ISO 1600. Note a precisão do foco, a velocidade do obturador e o ISO alto, sem granulação. Essa qualidade e efeito da fotografia não se consegue com os demais tipos de câmeras. Fonte: arquivo pessoal.

As duas fotografias abaixo foram tiradas com com câmera full frame, lente 50mm, f/1.8, 1/60seg, ISO 320



A nitidez, precisão de foco, apenas deixando a área de interesse no foco e o restante voluntariamente desfocado, apenas pode ser obtido com sensores full frame e lentes com aberturas maiores (f/1.8 nos exemplos acima).

Retornando ao tema central do artigo, vejo que a tendência dos amantes de fotografia é acabar comprando câmeras full frame, que hoje já são encontradas a preços acessíveis, porém não módicos. Como exemplo, temos a canon EOS 6D no kit com lente 24-105mm f/4 por um preço de aproximadamente 2.100 USD, sem impostos, e uma lentes fixa de 50mm f/1.8 por 125 USD, como um conjunto para quem quer iniciar no mundo full frame. Existem conjuntos equivalentes em outras marcar com Nikon, Sony entre outras.

Observo que quem se interessa por fotografias despreza as câmeras point and shot, começa com uma DSLR sensor APS-C que são mais baratas e acabam, cedo ou tarde, partindo para o state of the art das câmeras fotográficas amadoras, as full frame. Foi o caminho que segui e hoje tenho os três tipos de câmeras.

Em viagens levo duas ou três máquinas, para evitar troca excessiva de lentes com consequente aumento de risco de contaminação com poeira do espelho e conjunto mecânico. Nunca deixo de lado a câmera point and shot que, por ser barata e leve, cabe no bolso e é ótima para ser levada em locais adversos ou ainda em locais com risco de furto. Se seu cônjuge não compartilha do mesmo hobby, não peça nem para carregar seu equipamento, porque poucos conseguirão fazê-lo sem reclamar do peso e desconforto a cada passo.

No final da viagem, quem leva celular ou apenas uma point and shot fará 90% das fotografias parecidas com quem levou máquinas mais caras. No entanto, 10% das fotos provavelmente farão a diferença. Serão que darão a sensação de ter valido a pena cada centavo investido e cada grama carregada.

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