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Escrito por Malandro    10/01/2017 11:21:40

ABEV3 - A mítica do PL


Dando prosseguimento a mensagem ABEV – A mais querida, onde, como exemplo, expus como euforia e valuation alto podem ser danosos ao investimento, analisarei como pode ocorrer uma possível re-precificação no valuation desse setor de Staples (produtos básicos de consumo) ao longo do tempo.

Há dois tipos de abordagens no meio da análise fundamentalista: top-down e bottom-up investing, basicamente, o primeiro, considera fatores macroeconômicos, como determinada ação ou linha de pensamento dos formadores de política afetam esses indicadores e sua relação com o setor desejado para tomada decisão de investimento.
Outro, investiga questões ligadas mais a empresa, como modelo de negócio, analise de balanço, endividamento, investidores de buy n hold são, em sua maioria, adeptos dessa estratégia.

Sou adepto da primeira abordagem, um, porque é mais dinâmica, dois, porque dissecar demonstrativos financeiros atrasados em relação a visão do mercado não é comigo, em alguns casos pode até incorrer de venda do investimento ao redor da inflexão do mercado, vide VALE.

Voltemos a ABEV e o setor que está inserida.

Estudo feito na série histórica de dados de P/L, taxas de juros e bonds americanos, concluiu-se que, historicamente, a cada 1% de aumento no US Treasuries de 10 anos (UST10y) o setor de Staples Brasileiro é re-precificado negativamente em média 2,1x no P/L.

E localmente a cada 1% de aumento da taxa SELIC o setor é re-precificado negativamente em 0,9x no P/L. A relação inversa, nos dois casos, é verdadeira.
Como estava o cenário em 2012? O UST10y vinha de patamares de 3,7% a.a. em 2009/2010 para 1,8% no ano de 2012 (Mínimas seculares!). E no cenário interno a dupla dinâmica Tombini e Dilma Rousseff forçava a taxa SELIC a chegar em sua mínima histórica, 7,25%, em outubro de 2012 e ficando nesse patamar até março de 2013.



Fonte: US Department of the Treasury


Fonte: Banco Central

O ambiente de juros externo e interno se tornou extremo na re-precificação positiva de valuation das empresas do setor. O que explicou em grande parte o alto P/L da empresa e a euforia com ela.

Na situação atual, apesar da nova queda do UST10y para novas mínimas, a taxa SELIC se mantém em patamares elevados.

Para frente é possível conjecturar alguns cenários, nos EUA com Trumponomics, a expectativa inflacionaria aumentando, não seria loucura a UST10y atingir em torno de 3,5% e acabar com 35 anos de Bull Market dos bonds americanos.

No cenário interno, o BC já sinalizou aumento do passo da queda dos juros, onde vai parar? Por enquanto fico com o Gustavo Franco que acha que o ponto de equilíbrio dos juros fica em torno de 10%a.a.

Nesse cenário, não vejo espaço para uma queda maior do P/L da empresa, a níveis vistos de 2003 a 2010, por exemplo. Um valor em torno de 18x estaria razoavelmente bom, nesse panorama atual, ou seja, atraente nos R$13-14.


Fonte: JPM



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